A alegria de montar em um animal dócil e companheiro: O Cavalo

Trabalho que serve para complementar o tratamento de reabilitação tradicional, proporciona desenvolvimento bio-psico-social.

Com a prática da equoterapia, pode-se verificar que os praticantes(que são assim denominados por permanecerem ativos durante todo tempo da terapia) quando vão para o tratamento e, enquanto estão em tratamento, sobre o cavalo, todos apresentam uma enorme satisfação em estar montado em um animal dócil e que os aceita como são. Esta alegria transforma a seriedade da terapia numa sessão em que o aspecto lúdico predomina e, portanto, a vontade de traduzir seus sentimentos em palavras ou sons, faz com que a tentativa de comunicação de praticantes que não falam ou apenas realizam alguns sons, seja feita para demonstrar seu mais nobre momento: o da comunicação, seja com o meio ambiente, com os interlocutores, com si próprio ou, até como forma de agradecimento ao animal.

Interagindo com o meio ambiente a criança aumenta sua capacidade cognitiva.

Estudar a relação da linguagem e o meio ambiente como favorecedor de comunicação, talvez seja um estudo que reside na linguagem privativa de situações especiais, uma linguagem codificada a qual o significado e, também, o conteúdo emocional das palavras não são só expressos foneticamente, mas em imagens.

Por esta visão, relacionar equoterapia e desenvolvimento de linguagem, refaz do laço do estudo, um nó que se desata sem esforço e apresenta uma ou mais alças – o vínculo.

Desde a mais tenra infância a criança é exposta a inúmeras possibilidades de interação com os ambientes ecológicos e social, bem como com seu próprio comportamento. À medida que ela se desenvolve, essas interações vão sendo gravadas e tornando mais complexo o seu comportamento conceitual, com base em controles por estímulos cada vez mais sofisticados.

Soma-se a isto, a liberdade de expressão, o aumento da auto-estima e da auto-afirmação e teremos atitudes visíveis, que vêm com o deambular do animal, como a expressão de sentimentos.

Os movimentos cadenciados do animal e a alegria de comandá-lo, fazem com que a participação ativa do praticante no decorrer da terapia tragam pontos positivos e incomensuráveis.
A equoterapia vem de encontro à necessidade de amenizar a longa trajetória destes pacientes que, freqüentemente, são acompanhados por diversos profissionais (e muitas vezes em diferentes lugares), poderem ser trabalhados por mais de um profissional, ao mesmo tempo e em um só local. A interação com o animal, incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, a montaria e o manuseio final, desenvolve ainda novas formas de socialização, confiança em si mesmo e auto estima.

Como esta forma de terapia é realizada ao ar livre, torna-se importante salientar que os pais participam de forma efetiva, pois estão vendo como é realizado o tratamento e podem avaliar o desempenho de seus filhos a cada encontro, com isto, consequentemente , há um crescimento dos pais também, que observando os avanços de seus filhos elaboram melhor a aceitação das dificuldades deles; pois percebem que o animal os aceita sem distinção.

A equoterapia proporciona, portanto, que pais, praticantes e terapeutas tenham uma relação mais próxima.
Na equoterapia é muito importante o processo de chegada, aproximação e despedida do animal, visto que um vínculo forte é estabelecido, pois trata-se de um ser vivo, maior em porte e altura do que o praticante e, que remete uma sensação agradável com o deambular e calor de seu corpo, pois sua temperatura é mais alta que a do ser humano.

Em equoterapia são trabalhados a sociabilização; auto estima; adequamento de postura e tônus; psicomotricidade; coordenação; equilíbrio; desenvolvimento de linguagem e adequações de funções estomatognáticas, dentre outros.

Ao contrário das terapias tradicionais, o praticante de equoterapia é alguém que age sobre o animal, está num plano superior e, ainda, tem que dar os comandos para o animal obedecê-lo. O cavalo torna-se o seu parceiro e o terapeuta um mediador ou intérprete – esta inversão de papéis é outro fator relevante na motivação.

“Apesar dos cavalos serem maiores que as crianças, o respeito acontece naturalmente. E através do aprendizado, diversão, relaxamento, prazer, renovação, amizade observa-se a reconecção destas pessoas na magia do espírito humano. A vida muda para melhor! O nosso mundo se torna um lugar melhor, graças ao amor e reabilitação através do cavalo…” (fonte http://www.narha.org- 1998) in Chagas, 1998.

Por: Cláudia Soares dos Santos

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