A Hidroterapia na Síndrome de Down

A Síndrome de Down (SD) é causada pela alteração do número de cromossomos das células (GUIMARÃES, 1996). As alterações incluem hipotonia muscular e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

A hidroterapia pode ser conceituada como a execução de exercícios em meio líquido para e recuperação de movimentos, utilizando as propriedades físicas da água (GUIMARÃES, 1996; MARINS, 1997). Este estudo tem por objetivo discutir as propriedades da água e mostrar a hidroterapia como parte integrante do tratamento da Síndrome de Down (SD). Foi realizada uma revisão bibliográfica utilizando livros-texto e artigos científicos, através das palavras chaves; e utilizados as bases de dados Medline, Mdconsult, Lilacs e Scielo. Podemos concluir que a hidroterapia parece ser benéfica no tratamento de crianças portadoras de Síndrome de Down através da utilização das propriedades da água. Porém, estudos clínicos futuros são necessários para verificarmos se há evidências sobre sua efetividade.

Introdução

A Síndrome de Down (SD) é causada pela alteração do número de cromossomos das células. Há um cromossomo adicional junto ao par 21, e por isso também pode ser chamada trissomia 21 (Guimarães, 1996).

Ainda hoje a etiologia da SD é desconhecida, sendo que os fatores mais aceitos como predisponentes são: a idade materna; tendência familiar; infecções e exposição a radiações (Boeheme, 1990).

O que se sabe é que durante o processo de meiose ocorre um erro na distribuição cromossômica, ou seja, uma das células novas recebe um cromossomo 21 a mais, ou ainda, pode ocorrer outra variação que fuja ao padrão diplóide (Marins, 2001).

Os aspectos faciais típicos incluem rosto arredondado e nariz curto com ponte nasal achatada. Os olhos apresentam discreto desvio para cima das fissuras palpebrais laterais e pregas epicânticas. A boca é pequena e mantém-se aberta por uma língua protusa. As alterações esqueléticas incluem baixa estatura, dedos e artelhos curtos, afastamento entre o primeiro e o segundo artelhos e clinodactilia. A pelve é pequena e apresenta ângulos ilíaco e acetabular diminuídos. Há uma grande incidência de cardiopatias congênitas, como os defeitos septais e do coxim endocárdio. Entre as alterações hematológicas inclui-se um grande risco de leucemia (Wang, 1997).

A SD tem como característica a hipotonia, que interfere nas aquisições do desenvolvimento motor da criança, nas suas habilidades, na interação com o ambiente, retarda ou bloqueia sua exploração, diminuindo ou produzindo déficit de sensações e vivências, dificultando o desenvolvimento cognitivo (Boeheme, 1990).

A hidroterapia pode ser conceituada como a execução de exercícios em meio líquido para e recuperação de movimentos, utilizando as propriedades físicas da água (massa, peso, densidade relativa, pressão hidrostática, flutuação, turbulência, tensão superficial e viscosidade) (Guimarães, 1996; Marins, 1997).

Durante o tratamento hidroterapêutico existem alguns efeitos fisiológicos proporcionados pela água, como vasodilatação periférica, aumento da freqüência cardíaca (FC), aumento da taxa metabólica geral, melhor condição para contração muscular, melhora da circulação e aumento da freqüência respiratória (FR); e também efeitos terapêuticos como fortalecimento muscular, melhora das atividades funcionais, da marcha; e efeitos terapêuticos como o alívio da dor e espasmos musculares, manutenção ou aumento da ADM das articulações, fortalecimento dos músculos enfraquecidos, aumento da tolerância aos exercícios, reeducação dos músculos paralisados e fracos, encorajamento das atividades funcionais, manutenção e melhora do equilíbrio, coordenação e postura (Guimarães, 1996; Campion, 2000).

Os objetivos do tratamento para crianças portadora de Síndrome de Down são: proporcionar suporte para outros profissionais da equipe de reabilitação, adequação do tônus muscular, profilaxia para alterações cardiorrespiratória e circulatória, fortalecimento muscular, estimulação da motricidade voluntária, estimular as fases do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) como o controle de tronco e a marcha, estimular o equilíbrio e a auto-estima (Guimarães, 1996).

Este estudo tem por objetivo discutir as propriedades da água e mostrar a hidroterapia como parte integrante do tratamento da Síndrome de Down (SD), através de revisão bibliográfica.

Metodologia

Foi realizada uma revisão bibliográfica utilizando livros-texto e artigos científicos, através das seguintes palavras chaves: Síndrome de Down, hipotonia, hidroterapia, exercícios na água, reabilitação aquática, efeitos fisiológicos e propriedades físicas da água, exercícios aquáticos, terapia aquática, cinesioterapia na água; Down’s Syndrome, water therapy, hipotonic, hydrotherapy, exercise in water, aquatic therapy, physical properties, physiological effects e aquatic rehabilitation. Estas foram cruzadas entre si conforme as necessidades da pesquisa. Foram utilizadas as bases de dados Medline, Mdconsult, Lilacs, Scirus e Scielo. O período que compreendeu a pesquisa foi de 1971 a 2003, e não houve restrição de idiomas.

Discussão

Após a realização da revisão bibliográfica em busca de trabalhos científicos que embasassem a efetividade do trabalho da hidroterapia em relação ao quadro clínico dado pela SD, encontramos apenas dois artigos já citados anteriormente que dessem suporte a este estudo (Guimarães, 1996; Marins, 2001).

Optamos, então, por discutir as propriedades físicas e os efeitos da água, baseado-se na prática clínica, uma vez que os benefícios são percebidos, porém ainda não comprovados.

O ganho de força muscular para pacientes com SD pode ser conseguido através da resistência da água ao movimento, o que pode ser incrementado com o aumento da velocidade durante a execução destes e, conseqüentemente possibilitar o trabalho muscular. A flutuação é outra propriedade que pode oferecer resistência, e neste caso o movimento deve ser realizado no sentido da superfície para o fundo da piscina. A viscosidade é outro fator que proporciona resistência ao movimento e está intimamente ligada à velocidade (Marins, 2001).

Para se trabalhar tanto o fortalecimento quanto o equilíbrio muscular e de determinadas posturas, utilizamos a turbulência da água, que pode ser provocada em diferentes velocidades, permitindo o desafio do equilíbrio para diferentes tipos de déficits motores.

Para a adequação do tônus muscular, pode ser realizada co-contração através de exercícios resistidos contra a flutuação e a viscosidade da água, durante algumas atividades lúdicas (Guimarães, 1996).

A densidade corporal destas crianças está diminuída pela hipotonia, fato este que leva a uma facilitação da posição de flutuação, possibilitando a realização de atividades como o nado adaptado, trazendo diversos benefícios, como o fortalecimento muscular global e o treino respiratório.

O fato da piscina para hidroterapia ser aquecida não deve intimidar o profissional a realizar terapias com pacientes hipotônicos, uma vez que movimentos possam ser realizados contra-resistência, com maior velocidade e com co-contrações, que estimulam o tônus muscular a ser aumentado.

A pressão hidrostática oferece estímulos proprioceptivos e táteis, que auxiliam na adequação do tônus, no trabalho sensorial, e também na resistência aos movimentos (Flinkerbusch, 1993).

Na SD pode haver diminuição da interação do indivíduo com o meio ambiente, limitando oportunidades derivadas de experiências sensoriais como visuais, vestibulares, táteis e proprioceptivas; e a hidroterapia promove liberdade dos movimentos e aumenta a sociabilização, uma vez que representa ser um ambiente agradável e rico em estímulos, onde são realizadas atividades lúdicas que envolvem objetivos terapêuticos, de forma individual ou em grupo (Flinkerbusch, 1993, Campion, 2000).

Nas crianças com SD as atividades de sopro devem ser executadas, devido a algumas características típicas como a hipotonia muscular, respiração predominantemente bucal, língua protusa e déficit na coordenação dos movimentos (Flinkerbusch, 1993).

A hidroterapia pode ser benéfica ao fornecer métodos alternativos para estimular a reeducação dos padrões respiratórios. Através de brincadeiras lúdicas como realização de bolhas na água com a boca, a utilização de canudos e diferentes objetos para soprar, estimula-se a musculatura orbicular da boca e favorece sua oclusão (Guimarães, 1996), além do fato da musculatura respiratória ser estimulada pela pressão hidrostática exercida constantemente sobre o corpo imerso.

Conclusão

Apesar de não termos encontrado artigos suficientes para fundamentar o objetivo deste estudo, podemos concluir que a hidroterapia parece ser benéfica no tratamento de crianças portadoras de Síndrome de Down através da utilização das propriedades da água. Porém, estudos clínicos futuros são necessários para verificarmos se há evidências sobre sua efetividade.

Referências Bibliográficas

  • Boeheme R. The hipotonic child Tucson. Therapy Skills Bulders; 1990.
  • Campion M. Hidroterapia: Princípios e Prática. São Paulo: Manole; 2000.
  • Guimarães GP, Simas KMCS, Goede SZ, Pinto TR. Hidroterapia na Síndrome de Down. Fisioterapia em Movimento 1996; 3(2):54 – 62.
  • Marins SR. Síndrome de Down e Terapia Aquática: Possibilidades da influência dos efeitos físicos da água na musculatura estriada esquelética e na postura. Reabilitar 2001;10:12 – 20.
  • Flinkerbusch AE, Regonatti DA, Sanglard E, Martinelli FA, Torres KF, Medeiros FD, Dominguez GE. A importância das Atividades de Sopro em Crianças com Síndrome de Down. Fisioterapia em Movimento 1993; 5(2): 47-63.
  • Wang CH. Tratado de Neurologia. Rio de Janeiro: 9a ed; Guanabara Koogan;1997.

Escrito por: Gimenes RO, Trimer R, Barretti B, Schonvvetter B, Carrenho T, Barbosa RCC.

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