Lesões de trabalho: LER e DORT

LER e DORT em níveis elevados podem levar a pessoa a perder parcial ou totalmente a força nas mãos e nos braços, e até ser afastada por invalidez.

Atividades simples, como escrever, aparafusar ou carimbar começam a se tornar difíceis de repente. Surgem dores contínuas, às vezes muito fortes. É hora de procurar tratamento, pois esse pode ser um quadro de distúrbio decorrente de tarefas do trabalho.

Um leque dessas doenças se enquadra como Lesões por Esforços Repetitivos (LER), mas o termo Distúrbios Osteomusculares Relacionados com o Trabalho (DORT) é mais atual e abrangente, segundo os especialistas. As mais conhecidas são as inflamações, como tendinites e bursites, mas chega a 30 o número de problemas causados por excesso de força no desempenho de funções, posturas inadequadas ou ausência de pausas para descanso. Além de longas jornadas de trabalho, fatores psicossociais como estresse, insatisfação, competição exagerada e relacionamentos ruins interferem na saúde dos funcionários.

Em fevereiro, a Câmara Municipal de Porto Alegre realizou a 2ª Semana de Prevenção a LER/DORT, com o tema Conscientizar para prevenir. Segundo o médico do trabalho e reumatologista Marco Aurélio Goldenfum, um dos palestrantes, geralmente as extremidades superiores do corpo é que ficam doloridas.

– Boa parte das doenças acarreta dor, limitação funcional, formigamento. Se não diagnosticadas e tratadas, acabam comprometendo a capacidade de trabalho – alerta.

Em grau mais elevado, a pessoa pode perder parcial ou totalmente a força nas mãos e nos braços e até ser afastada por invalidez. Tanto em homens quanto em mulheres, a faixa etária mais atingida está entre os 25 anos e 40 anos, no auge da vida produtiva. Mas as trabalhadoras são as que mais sofrem, segundo a professora de Educação Física Débora Garcia.

– As mulheres geralmente são sobrecarregadas por uma dupla jornada de trabalho: no emprego e em casa. Acabam tendo de fazer tarefas domésticas que pioram o problema.

Para frear a evolução da doença, assim que perceber que a dor é freqüente, o trabalhador deve procurar tratamento médico, que inclui repouso, imobilizações com talas nas fases agudas, analgésicos e antiinflamatórios. Em casos graves, pode ser preciso tratamento cirúrgico. Conforme Goldenfum, o funcionário não deve retomar as mesmas condições de trabalho e atividades que levaram ao seu adoecimento.

A ginástica laboral tem papel importante na prevenção. Com pausas para alongamentos duas vezes ao dia, uma lesão muscular pode ser evitada. Quem sofre de LER ou DORT não deve praticar os exercícios.

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