Impacto socioeconômico das LER/DORT

Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) representam um conjunto heterogêneo de afecções musculoesqueléticas ocupacionais que são decorrentes de sobrecargas biomecânicas.

A sigla LER (Lesões por Esforços Repetitivos) foi recentemente substituída pelo acrônimo DORT basicamente por dois motivos: (1) a ocorrência de lesão tecidual tem sido evidenciada apenas em uma minoria dos casos e (2) essas afecções podem decorrer de diversos tipos de sobrecargas além do esforço repetitivo como, por exemplo, sobrecargas estáticas, excesso de força empregada nas tarefas laborativas, posturas inadequadas, excesso de vibrações, entre outras. No entanto, o novo termo “DORT” não parece ter força suficiente para eliminar o termo anterior “LER” que, apesar de inapropriado, ganhou forte aceitação no nosso meio.

Esses distúrbios osteomusculares ocupacionais incluem um grupo de condições que envolvem os nervos, tendões, músculos, discos intervertebrais e outras estruturas do tecido conjuntivo. Eles representam uma ampla variedade de moléstias que diferem em gravidade e cronicidade.

Nos Estados Unidos, os distúrbios musculoesqueléticos, dentro e fora do cenário ocupacional, estão entre os problemas médicos mais prevalentes, afetando 7% da população e sendo responsáveis por 14% das consultas médicas e por 19% das hospitalizações.

Impacto socioeconômico das LER/DORT

Os distúrbios musculoesqueléticos ocupacionais incluem um grupo de condições que envolvem os nervos, tendões, músculos, discos intervertebrais e outras estruturas do tecido conjuntivo. Eles representam uma ampla variedade de doenças que diferem em gravidade e cronicidade.

Nos Estados Unidos, os distúrbios musculoesqueléticos, em geral, estão entre os problemas médicos mais prevalentes, afetando 7% da população e sendo responsáveis por 14% das consultas médicas e por 19% das hospitalizações.

Avaliando-se especificamente os distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, eles representam um terço de todas as afecções relatadas ao órgão competente pelas estatísticas do trabalho por ano (Bureau of Labor Statistics). Essas afecções constituem atualmente o maior problema de saúde ocupacional naquele país.

O Bureau of Labor Statistics (BLS) declarou que o número de casos desses distúrbios aumentou significativamente, de 23.800 casos em 1972 para 332.000 em 1994. Esse número representou 65% de todas as doenças relatadas ao BLS, com um aumento de aproximadamente 10% comparados aos casos de 1993 e mais do que 15% em relação aos casos de 1992. Entre eles, 92.576 foram suficientemente importantes para resultar em dias perdidos de trabalho. A maioria (40,8%) deveu-se à síndrome do túnel do carpo e 15,6%, às tendinites (McKinnon & Novak, 1997). Em 1995, o número de casos diminuiu 7%, mas tal quantidade ainda excede o número de casos em qualquer ano anterior ao de 1994. Esses números não incluem os casos de lombalgia.

Mais recentemente, as despesas anuais atingem cerca de 15 a 20 bilhões de dólares em compensações financeiras (gastos diretos), além de outros 45 a 60 bilhões de dólares em despesas indiretas (National Institute for Occupational Safety and Health – NIOSH, 1997).

Os gastos diretos dizem respeito aos custos administrativos por instituições públicas e privadas para casos de indenizações, envolvendo:

  • Companhias de seguros pessoais (ajustes, regulamentos, despesas gerais, taxas, licenças e honorários).
  • Determinação de valores (administração de reivindicações e despesas gerais).
  • Companhias de seguros autônomas (benefícios).

Os gastos indiretos são oriundos de vários elementos, entre eles:

  • Pagamentos para reembolsos de absenteísmo de curta duração;
  • Perdas de produção associada com o retorno do operário afetado ao trabalho;
  • Queda de produtividade dos outros operários que se tornam sobrecarregados, e
  • Uma ampla variedade de custos que não são diretamente relacionados aos prêmios de seguros (em geral, são despesas médicas para diagnóstico e tratamento).

Milhares de empresas têm desenvolvido programas de prevenção às LER/DORT. O órgão governamental Occupational Safety & Health Administration – U.S. Department of Labor (OSHA) estima que 50% de toda a classe trabalhadora, e somente 28% dos operários industriais, estão envolvidos em um projeto preventivo direcionado a esses distúrbios.

Nos últimos anos, a quantidade dessas enfermidades continua aumentando, chegando a afetar, anualmente, cerca de 1,8 milhão de trabalhadores. Aproximadamente 325.000 deles pertencem a microempresas (com menos de 20 funcionários) e 600.000 (1/3 do total) são suficientemente importantes para ocasionar algum tempo de afastamento do trabalho.

Em 1997, o NIOSH publicou uma vasta revisão bibliográfica sobre a epidemiologia das LER/DORT, envolvendo mais de 2.000 estudos científicos. Foi encontrada, na ocasião, uma evidência para causalidade entre os sintomas referidos e os fatores de risco no ambiente de trabalho. Similarmente, o National Research Council, constituído por 66 cientistas, relatou que existe uma maior incidência de dor, lesão, ausência ao trabalho e incapacidade funcional entre indivíduos que estão empregados em ocupações onde há um maior nível de exposição a sobrecargas físicas do que aqueles empregados em ocupações com menores níveis de exposição.

Um estudo afirmou que os distúrbios musculoesqueléticos representam, após as doenças cardiovasculares, a segunda maior causa de incapacidade e de despesas com custos médicos e com perda de produtividade (Sokas e cols, 1989).

A síndrome do túnel do carpo tem sido a enfermidade mais diagnosticada e a principal causa de afastamento do trabalho entre todos esses distúrbios musculoesqueléticos, com uma média de 25 dias de trabalho perdidos, sendo maior do que a média dos principais acidentes de trabalho (17 dias para as fraturas e 20 dias para as amputações). Em 1993, essa neuropatia ocorreu em uma proporção de 5,2 para cada 10.000 trabalhadores (National Occupational Research Agenda, 1999).

Escrito por: Dr. Milton Helfenstein Jr

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