Como proteger seus ossos a um baixo custo

Um estudo realizado pela Universidade de Stanford nos Estados Unidos, em 2004, mostrou que mais da metade de todas as pessoas que têm osteoporose, não são diagnosticadas.

O mais impressionante é que mesmo pessoas que já tiveram fratura de punho ou de quadril decorrentes de pequenos traumas, que são fraturas relativamente típicas da osteoporose, não recebem os medicamentos necessários para prevenir novas fraturas.

O mesmo estudo mostra, ainda, que a maior parte dos médicos nem conversa com seus pacientes sobre osteoporose – mesmo aqueles que tiveram uma fratura recente.

A osteoporose é responsável por mais de 1,5 milhão e fraturas a cada ano. Mulheres acima de 50 anos de idade terão até 50% de chance de terem uma fratura por osteoporose até o final da vida. Não pare de ler este texto se você for um homem. Suas chances de ter uma fratura parecida serão de 1 em 4. No entanto, o tratamento de prevenção é relativamente barato. É muito mais caro sob todos os aspectos tratar a fratura.

A maior parte das fraturas de punho e de quadril precisa ser operada. As fraturas de punho, em geral, são as mais precoces. Acontecem mais em mulheres por volta dos 60 anos de idade e são decorrentes de quedas. Para se protegerem, as pessoas colocam as mãos à frente para impedir que o rosto bata no chão e, desta forma, recebem o impacto sobre a mão e o punho que acaba se quebrando.

Até há alguns poucos anos, o tratamento era gesso por, pelo menos 2 meses, em uma posição muito desconfortável e só então iniciava-se a reabilitação. O gesso grande e pesado atrapalhava muito. Além da dependência do paciente – é muito difícil tomar banho, se vestir e até comer com este gesso -, era muito comum a paciente ter dores nas costas e no ombro além de ficar com limitação de movimentos. Atualmente, a conduta de escolha tem sido operar estas fraturas. Com isto, espera-se que a paciente fique independente mais cedo e com menos perdas de sua função.

A fratura do quadril é quase sempre cirúrgica. Tanto homens quanto mulheres podem ter estas fraturas. Os homens quebram mais tarde durante a vida, provavelmente por ter ossos mais fortes do que as mulheres. No entanto, os homens têm mais chances de morrer após esta fratura, do que as mulheres. Provavelmente, isto ocorre porque o homem quebra em uma fase da vida em que já pode apresentar uma saúde mais frágil, com outras doenças próprias do envelhecimento.

Existe uma enorme porcentagem de pessoas que não retorna às suas atividades anteriores à fratura. Muitos se queixam de dor, muitos têm alteração do seu padrão de marcha e muitos têm tanto medo de cair novamente, o que acaba restringindo suas caminhadas. Estes três fatores levam à perda da independência.

As fraturas da coluna, embora não sejam cirúrgicas na maior parte das vezes, têm como conseqüência a piora da postura, piora do padrão de marcha e podem ser acompanhadas de dores muito limitantes. Além dos fatores médicos, as mulheres sofrem com a alteração da postura, podendo ter perda da auto-estima pela não aceitação de uma postura que favorece pouco. Os homens por sua vez, diminuem de altura, o que é motivo de queixas por vários deles.

Veja abaixo algumas dicas para proteger seus ossos, sem ter que gastar exageradamente e sem passar por todos os transtornos médicos e sociais que as fraturas podem ocasionar.

a) Cálcio e vitamina D: o cálcio é fundamental para a vida. Sem o cálcio, várias funções do nosso corpo tais como batimento do coração, contração dos músculos, funcionamento dos nervos deixariam de acontecer. Nosso organismo não produz cálcio, mas exige que tenha sempre uma quantidade disponível para manter seu funcionamento.

Portanto, este cálcio que nos manterá vivos deve vir de alguma fonte. A principal fonte é aquela vinda da dieta. Na osteoporose, há a retirada do cálcio armazenado nos nossos ossos, levando à fragilidade dos mesmos. Por isto, é tão importante termos uma alimentação rica em cálcio, para evitarmos a perda óssea. Acontece que o cálcio ingerido só será aproveitado se tivermos vitamina D em quantidade suficiente. É esta vitamina que permite a absorção do cálcio do intestino.

Existem 2 fontes principais de vitamina D. Uma é a dieta. Infelizmente, são poucos os alimentos naturalmente ricos em vitamina D. A outra fonte, e a que mais disponibiliza a vitamina D, é o sol.

Teoricamente, basta a exposição de 10 a 15 minutos diários de sol para que tenhamos a quantidade necessária. Estudos recentes têm mostrado que mesmo morando em países quentes, com sol praticamente o ano todo, existe uma insuficiência de vitamina D em quase metade das pessoas.

Portanto, para mantermos a quantidade mínima necessária tanto de cálcio quanto de vitamina D, precisamos muitas vezes lançar mão de suplementação através de produtos da indústria farmacêutica.

b) Exercícios: aqui vai uma ótima notícia. Você pode ter todas as vantagens que o exercício pode proporcionar sem nenhum gasto maior do que um bom par de tênis. Apesar da caminhada não ser o exercício mais completo, pessoas que andam tem mais massa óssea do que as sedentárias e têm melhor equilíbrio e mobilidade, ou seja, defendem-se melhor das quedas e, conseqüentemente, das fraturas.

Exercícios de impacto, como a corrida ou exercícios de resistência, como a musculação são ainda mais eficientes na formação da massa óssea. Antes de iniciar este tipo de exercícios, seu médico deve ser consultado para orientar quanto aos limites desta atividade.

c) Evite algumas situações: pessoas que fumam têm mais chances de ter osteoporose. O fumo interfere diretamente com a célula que forma osso. Além disto, mulheres que fumam têm menopausa mais cedo do que aquelas que não fumam. Pessoas que bebem exageradamente também correm mais riscos de ter osteoporose. Muitas vezes, os alimentos ricos em cálcio, principalmente o leite, são substituídos pelo álcool. Os osteoblastos (células que formam osso) não conseguem ser produtivos como deveriam.

d) Fique atento às seguintes situações: 

  • estar na menopausa (diminuição do estrógeno favorece a perda de massa óssea);
  • ter familiares com osteoporose (está demonstrado que pessoas com familiares com osteoporose têm mais chances de ter osteoporose);
  • ser muito magro (pessoas mais magras em geral têm ossos mais finos e quando caem têm menor absorção do impacto e portanto mais chances de fraturar);
  • uso prolongado de corticóide (um dos efeitos do corticóide sobre os ossos é diminuir a produção de ossos pela interferência direta sobre os osteoblastos);
  • história de anorexia e bulimia (uma das explicações é a menor ingesta de cálcio); uso de anticonvulsivantes (interferência coma vitamina D e absorção do cálcio).

Lembre-se de que prevenir é sempre melhor do que ter que tratar. Além de ser mais barato prevenir a osteoporose, existem outras conseqüências medidas de outras maneiras, como a piora da qualidade de vida, medo de fraturas, dependência, dores, limitações físicas, que podem ser evitadas com a prevenção.

Saiba também que sempre que diagnosticada, a osteoporose deve ser tratada. Cabe ao seu médico decidir que medicamentos devem ser usados.

Fontes:

Surgeon General’s Report on Bone Health, 2004. Stanford study reported in Archives of Internal Medicine, July 26, 2004. Michael Holick, MD, PhD, professor of medicine, physiology and biophysics, Boston University Medical Center. National Osteoporosis Foundation. Journal of Clinical Endocrinology Metabolism, “Prevalence of Vitamin D inadequacy among postmenopausal North American women receiving osteoporosis therapy,” June 2005; vol 9: pp 3215-24; National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases (NIAMS); NeedyMeds; AARP Bulletin; Seniors Inc.; The Medicine Program.

Baseado neste texto: WebMD Feature – Originally published July 2005.- Medically updated August 2006.

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