Artrite Reumatoide: causas e sintomas

Mais freqüente em mulheres, doença se manifesta em forma de dor, inchaço e enrijecimento das articulações.

A artrite reumatóide é uma doença de origem imunológica, caracterizada por inflamação nas articulações. Muitas vezes apresenta também alterações fora das articulações, como o aumento dos gânglios, febre e lesões de pele de variados tipos. A inflamação articular se manifesta especialmente com dor, edema e dificuldade de mover a articulação acometida. Pode afetar mãos, punhos, cotovelos, ombros, pés, tornozelos e joelhos, ou ter um caráter sistêmico e lesar tecidos do coração, rins, pulmões, olhos e vasos sangüíneos.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 1,8 milhão de pessoas sofram com a doença. Ela é mais freqüente em mulheres e mais comum em pessoas com idades entre 20 e 40 anos, mas pode acometer também homens e crianças. Para que ela se desenvolva, são necessárias algumas combinações de defeitos genéticos e a presença de um ou mais estímulos externos, o que faz com que a incidência em familiares de pacientes com a doença não seja grande.

A reumatologista Maria Vitória Pádua de Quintero, integrante da diretoria do Departamento de Reumatologia da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), explica que, no adulto, a doença pode ser subdividida em seropositiva ou seronegativa, de acordo com o resultado do teste de fator reumatóide. “Nas crianças, a classificação é diferente, baseando-se no número de articulações acometidas, na positividade do teste de fator reumatóide, na presença de sinais chamados sistêmicos (febre, lesões de pele, linfonodos aumentados, aumento de fígado e baço, alterações no hemograma e sinais de atividade inflamatória), lesões de pele do tipo psoríase e entesites (inflamação da inserção dos tendões nos ossos, principalmente no tendão de Aquiles e calcanhar)”, observa.

De acordo com a médica, o diagnóstico é eminentemente clínico, ou seja, é detectado a partir de alterações articulares e queixas dos pacientes. “Os testes laboratoriais nos orientam, confirmando o diagnóstico ou sugerindo outra possibilidade. Podem também definir critérios de prognóstico. As radiografias são interessantes para mostrar erosões nos ossos, que porventura já possam existir”, ressalta Maria Vitória.

Quanto aos fatores de risco, a reumatologista explica que se trata de uma doença chamada multifatorial, mas de determinação genética. Isso quer dizer que existem determinados genes que aumentam os riscos de a pessoa desenvolver a doença. “O ideal é que a artrite seja prontamente diagnosticada para o tratamento imediato.”

Maria Vitória comenta que, por algumas vezes, a artrite reumatóide entra em remissão. “Este é o nome que damos para a ‘cura’. Por enquanto, a meta é o controle da doença, oferecendo à pessoa melhora do quadro doloroso e recuperação das funções. A doença reduz a expectativa de vida do paciente por vários mecanismos ligados ao processo inflamatório cronicamente instalado. Além disso, há o risco de intolerância ou efeitos colaterais dos medicamentos usados. Pode ainda haver manifestações extra-articulares graves (inflamação de vasos – vasculite) e o aumento do risco de infecções, que podem se tornar graves e apresentar risco de morte para o paciente”, alerta.

Deixe um comentário