O câncer da mama e sua prevenção

Dos tumores malignos que afetam as mulheres, o câncer da mama é o mais freqüente, excluindo-se os tumores da pele.

Quem é afetado?

Atualmente, nos Estados Unidos o risco de uma mulher que viver até os 70 anos de manifestar a doença em alguma fase de sua vida é em torno de 10%. Neste ano de 2002, espera-se que sejam diagnosticados cerca de 1.000.000 de casos novos em todo o mundo, sendo de 35.000 a 40.000 deles no Brasil. Em Sorocaba e região, cerca de 400 mulheres saberão serem portadoras de algum tipo de tumor maligno em suas mamas neste último ano do milênio.

Os homens não estão livres desta doença, pois cerca de 0,5 a 1,0% deste total afetarão as mamas masculinas.

Prevenção do câncer de mama

Para o câncer do colo uterino existe uma forma eficaz para sua prevenção, e as campanhas realizadas com este objetivo em muito têm contribuído para diminuir sua incidência em nosso meio.

Infelizmente para o câncer da mama ainda não dispomos de uma proposta efetiva para sua prevenção. O exame periódico das mamas, seja através do auto-exame ou da mamografia, não impede o aparecimento destes tumores, apenas nos permite o diagnóstico mais precoce, e conseqüentemente maior sucesso do tratamento.

Porém o conceito de que o câncer da mama pode ser prevenido, baseia-se nas diferenças internacionais encontradas na sua taxa de incidência. Os paises mais ricos, com exceção do Japão, apresentam uma elevada incidência da doença, quando comparados aos países ainda em desenvolvimento. Trabalhos epidemiológicos realizados nos Estados Unidos, mostraram que as descendentes de segunda geração de imigrantes japoneses do inicio do século têm a mesma incidência do câncer de mama das americanas. Isto nos indica que diferentes fatores ambientais e estilos de vida podem exercer influência no surgimento do câncer mamário. Portanto sua prevenção consiste em estimular os fatores protetores, e evitar as situações que potencialmente elevam o risco das mulheres desenvolverem a doença.

Fatores de risco

A exposição às radiações ionizantes, a ingestão de bebidas alcoólicas e altas taxas de gordura, a obesidade (principalmente na mulher já menopausada) e pouca atividade física em mulheres jovens, são fatores que podem estar associados ao aumento do risco. A reposição hormonal nas mulheres climatéricas e sua relação com a incidência do câncer mamário tem sido amplamente estudada, com resultados ainda controversos. Aparentemente ocorre uma pequena elevação no risco de desenvolver a doença, naquelas mulheres que fazem a reposição por longos períodos. No entanto, este efeito adverso da reposição hormonal pode ser compensado pelas atuais evidências de que ela pode diminuir a mortalidade em geral, principalmente protegendo o aparelho cardio-circulatório de doenças como o infarto.

Uso do Tamoxifeno

Há dois anos foi publicado na literatura médica, com grande repercussão na mídia, os resultados do estudo de um medicamento, o tamoxifen, com valor potencial na prevenção do câncer mamário. Esta droga já era utilizada há muito tempo no tratamento hormonal desta doença, sendo agora testada para sua profilaxia. Cerca de 13.000 mulheres de alto risco participaram do estudo, e a força dos resultados iniciais autorizou seus autores a precipitar a conclusão do trabalho e divulgar suas conclusões. No grupo das mulheres que utilizaram a medicação houve uma importante diminuição na detecção do câncer, quando comparado ao grupo de mulheres que não fizeram uso do tamoxifen. No entanto, ainda não temos respostas para algumas perguntas como: a droga impede ou retarda o aparecimento dos tumores? Por quanto tempo ela deve ser usada? Qual a duração desta proteção? Será que os bons resultados apresentados também se aplicam às mulheres com baixo risco de manifestar a doença?

Outras pesquisas vêm sendo realizadas com o objetivo de responder as perguntas acima e testar outras drogas com potencial semelhante. Enquanto aguardamos os esforços da ciência em desenvolver estratégias efetivas de prevenção primária, cabe-nos voltar a esclarecer a importância das mulheres examinarem com freqüência suas mamas, e diante de qualquer dúvida procurarem orientação médica. O câncer da mama é uma doença com grande potencial de cura, quando diagnosticado precocemente.

**Dr. Alexandre Vicente de Andrade
Mastologista e Docente da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Sorocaba, PUC-SP.

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