Convulsão Febril Simples: neuro-diagnóstico na criança

A Convulsão febril simples é um episódio de convulsão generalizada, de curta duração (<15 minutos) que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos. Ocorre apenas umas vez durante 24 horas em uma criança febril que não seja portadora da infecção intracraniana ou distúrbio metabólico severo e seja neurologicamente saudável. É um evento benigno comum.

Exclusão: pacientes com convulsão febril complexa que seja prolongada (> 15 minutos), focal ou tenha havido recorrência durante as 24 horas, pacientes com alterações ou anormalidades do sistema nervoso central ou história de convulsões não acompanhadas de febre.

Baseado nos riscos e benefícios dos tratamentos disponíveis, não é recomendado tratamento anticonvulsivante, contínuo ou intermitente, para a profilaxia da convulsão febril simples.

Crianças com convulsão febril simples têm risco levemente aumentado para o desenvolvimento de epilepsia a partir dos 7 anos, em comparação ao risco observado na população geral (1%). Não há estudo que demonstre que o tratamento anticonvulsivante na convulsão febril simples pode reduzir esse risco. Não há evidências que a convulsão febril simples possa acarretar dano estrutural do sistema nervoso central ou que seja associado a declínio cognitivo.

Benefícios e riscos da terapia intermitente na convulsão febril simples

Os antitérmicos não são efetivos na prevenção da convulsão febril simples e o diazepam oral, quando administrado durante o episódio febril, reduz em 44% o risco de convulsão febril simples, porém pode levar a sonolência, ataxia e dificulta o reconhecimento de sinais clínicos de acometimentos do sistema nervoso central.

Riscos de recorrência da convulsão febril simples

  • Criança menor que 12 meses com uma convulsão simples 30%
  • Criança maior que 12 meses com uma convulsão simples 50%
  • Criança após a segunda convulsão febril simples 50% =

Benefícios e riscos da terapia anticonvulsivante contínua na convulsão febril simples

O fenobarbital reduz a incidência de convulsão febril simples de 25/100 ao ano para 5/100 ao ano, mas pode levar distúrbios comportamentais (hiperatividade) e reações de hipersensibilidade.

Quando o ácido valproico, reduz a incidência de convulsão febril simples de 35% para 4%. Pelo menos tão efetivo quanto fenobarbital, tem hepatotoxicidade rara, porém mais comum em crianças até 3 anos, pode causar plaquetopenia e ganho ou perda de peso.

A carbamazepina e a fenitoína ainda não têm efetividades determinadas.

Conclusões

A convulsão febril simples é um evento benigno e relativamente comum (aproximadamente 3%) em crianças entre 6 meses e 5 anos. A maioria das crianças tem excelente prognóstico. Existem terapias efetivas que podem prevenir a ocorrência de convulsões febris simples, porém com potencial efeito adverso. Baseado nos riscos e benefícios dos tratamentos disponíveis, não é recomendado tratamento anticonvulsivante contínuo ou intermitente para a profilaxia da convulsão febril simples.

Em situações de grande ansiedade dos pais em relação ao desenvolvimento da convulsão febril simples, tratamento intermitente com diazepan oral pode ser recomendado no início do processo febril. Antipiréticos podem ser administrados para proporcionar conforto. Educação e apoio emocional devem ser proporcionados.

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