Acompanhamento profissional estimula desenvolvimento

“Todas as crianças com Síndrome de Down podem se desenvolver, e o potencial que irão atingir depende do trabalho desde bebê desenvolvido por profissionais habilitados para a estimulação precoce através de uma equipe multidisciplinar.”

Segundo a Dr.a Odette Fatuch Santos, fonoaudióloga da Clínica Carlos de Carvalho, o preconceito e a falta de informação é que são os maiores problemas.

A Síndrome de Down é uma ocorrência genética natural e está presente em nossa sociedade independente de raça e classe social. Durante o desenvolvimento do embrião se formam 47 cromossomos no lugar dos 46 normais. Esse excesso altera o desenvolvimento normal da criança.

Ocorre então a trissomia do cromossomo 21. O exame para o diagnóstico é chamado cariótipo. Em levantamentos 80% das crianças nascem de mulheres com menos de 35 anos . E de cada 400 bebês nascidos de mães com mais de 35 anos, um nasce com a Síndrome. As características principais se apresentam como flacidez muscular, aprendizado mais lento e aparência física onde os olhos são amendoados, uma linha única na palma de uma ou das duas mãos, dedos curtos. Mas o que caracteriza mesmo o indivíduo com Síndrome de Down é a carga genética familiar.

Em entrevista com a Dr.a Odette Fatuch Santos, fonoaudióloga da Clínica Carlos de Carvalho, ela esclarece alguns detalhes a respeito do assunto: “Outro dia eu estava atendendo em meu consultório e um de meus pacientes colocou-se embaixo da mesa e não queria ser retirado por nada, apresentando-se um pouco agressivo e teimoso. Outro paciente que estava junto comentou: acho que ele tem Síndrome de Down. O preconceito e falta de informação ainda é grande e nós que fazemos atendimentos em clínicas convivemos com isso diariamente. Todas as crianças com Síndrome de Down podem se desenvolver, e o potencial que irá atingir depende do trabalho desde bebê desenvolvido por profissionais habilitados para estimulação precoce através de uma equipe multidisciplinar. Eles tem condições de estudar, trabalhar, viver sozinhos que é a maior preocupação dos pais se algo vier a acontecer.”

Acompanhamento fisioterapêutico

Segundo a Dr.a Camilla de Campos Basso, especialista em Ortopedia e Traumatologia Desportiva e em Reeducação Postural Global, a pessoa com Síndrome de Down pode apresentar diversas características como a diminuição do tônus muscular, frouxidão de ligamentos, menor estatura, excesso de pele na região da nuca, orelhas pequenas e com baixa implantação, mãos e pés pequenos, língua saliente, achatamento da ponte nasal e da parte posterior da cabeça, boca e dentes diminuídos e pálpebras oblíquas e estreitas. A profissional diz que é necessário o acompanhamento fisioterapêutico visando favorecer o desenvolvimento mental e motor. Isso propicia mais longevidade e melhor qualidade de vida. A equipe deve ser composta de fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, médico e psicólogo.

A Dr.a Camilla de Campos Basso, da Clínica Carlos de Carvalho, explica: “Pacientes com disfunções motoras devem aprender através de exercícios apropriados, para manter e controlar o equilíbrio entre a cabeça e as cinturas escapular e pélvica. Deve-se observar que os indivíduos com Síndrome de Down que recebem tratamento adequado apresentam melhor desempenho nos diferentes aspectos como o motor, cognitivo e social, comparados com os indivíduos que não recebem o suporte de tratamento.”

Tratamentos adequados melhoram o desempenho

A dificuldade respiratória devido à hipotonia – falta de tônus – são causadas pela inabilidade muscular do transverso abdominal que dificulta a ação do diafragma, dos oblíquos e da musculatura intercostal. Isso dificulta a respiração profunda, ampla e adequada e provoca maior susceptibilidade para infecções pulmonares e respiratórias. A Cinesioterapia facilita e estimula as reações corporais e posturais no desenvolvimento das etapas consideradas normais. Segundo a Dr.a Camilla de Campos Basso, os exercícios facilitam a percepção do espaço, da sensação do próprio corpo do espaço, da sensação do próprio corpo e da marcha independente, além de conferir maior habilidade motora.

A profissional da Clínica Carlos de Carvalho, diz que, a estimulação que auxilia a adequação do tônus é a proprioceptiva e também a tátil. Ela explica: “Na estimulação tátil conseguimos trabalhar a musculatura diretamente. Na estimulação proprieceptiva relacionada aos receptores articulares, conseguimos uma tonificação de todo o segmento, um ou mais, seja membro superior, inferior ou tronco, ou ainda o corpo através do pular.O trabalho postural deve ser realizado promovendo a sensação do correto posicionamento.”

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