Reabilitação Oncológica

Publicado em 11 de janeiro de 2014

O planejamento terapêutico não se restringe, no entanto, à seleção de condutas clínicas e/ou cirúrgicas, devendo incluir todo um conjunto de cuidados que permitam ao paciente situar-se em sua nova condição e adaptar-se física, psicológica e socialmente a ela. É sob esta ótica que a reabilitação deve ser considerada, conforme se discute a seguir.A reabilitação deve iniciar-se tão logo o câncer seja diagnosticado, devendo ser planejada a cada etapa do tratamento. É responsabilidade do médico assistente diagnosticar e prever as eventuais limitações produzidas pela doença e pelo tratamento, familiarizar-se com os conceitos e o valor da reabilitação, identificar as áreas técnicas de apoio requeridas, encaminhar adequadamente o paciente e cooperar integralmente com todos os outros profissionais envolvidos.

Os processos de reabilitação a ser aplicados dependem da perda anatômica verificada, dos locais acometidos pelas metástases, dos tratamentos utilizados, da idade do paciente e do prognóstico do caso. Os fatores psicológicos e sócio-econômicos devem ser considerados, para que se programe a reabilitação do paciente de forma realista e compatível com as suas limitações fisiológicas e ambientais.

A reabilitação tem como principal objetivo a melhoria da qualidade da vida do indivíduo. Deve procurar atender às necessidades específicas de cada paciente, com medidas que visem à restauração anatômica e funcional, ao suporte físico e psicológico e à paliação de sintomas.
Os pacientes que desenvolvem um câncer apresentam, simultaneamente, problemas de natureza diversa, que variam de paciente para paciente e que exigem, portanto, métodos de reabilitação específicos.

A recuperação física e psicológica do paciente e o seu reajustamento social dependem do trabalho de uma equipe formada por vários profissionais, com funções específicas e tempo de atuação variável conforme o problema apresentado. Vale ressaltar que a equipe deve trabalhar de forma integrada e manter um relacionamento harmônico com o paciente e os seus familiares.

Para que se evite duplicação de esforços e conflitos de aconselhamento e condutas, cada membro da equipe deve ter suas funções bem definidas. A atuação da equipe em regime domiciliar é altamente benéfica, já que facilita a integração do paciente com o seu meio e uma maior participação familiar no processo de reabilitação.

A grande maioria dos serviços médico-assistenciais no país não dispõe, no entanto, de infra-estrutura para prover os cuidados de reabilitação requeridos pelos pacientes. As deficiências sentidas na área de reabilitação são ampliadas pela situação prevalente de diagnóstico tardio da doença, já que, nessa fase, as perdas anatômicas e funcionais são muito maiores, requerendo métodos de reabilitação mais sofisticados e onerosos. Observa-se, assim, mais um exemplo de como todas as ações de prevenção e controle estão interrelacionadas.

Fonte: Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2 ed. rev. atual. – Rio de Janeiro: Pro-Onco. 1993.

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FONTE : INCA
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