Pé Plano

Publicado em 19 de fevereiro de 2015

Pé Plano

Em toda escala zoológica, o homem é o único a apresentar o arco plantar do pé. Essa disposição é requerida para sustentar o corpo ereto, além de proporcionar uma alavanca adequada para um simples passeio ou um salto.(Pé Plano)

O arco plantar funciona também como amortecedor de choques e permite a passagem de vasos, nervos e tendões musculares sem compressão. A rigor, o pé possui dois arcos plantares: um longitudinal e outro transversal.

É uma grande quantidade de anomalias estáticas caracterizadas por um rebaixamento do pé sobre sua borda interna, denominada de pé chato. Esta pode vir a se manifestar por uma simples pronação do antepé ou valgo ou serem completadas por um rebaixamento plantar anterior. Distinguiremos os pés chatos da criança, do adolescente e do adulto.

pé plano

pé plano

Na criança

– pé chato valgo simples ou estático;
– pé chato valgo congênito;
– pés chatos mal conformados (agenésicos ou sinostásicos);
– pés chatos paralíticos ou espásticos.

No adolescente e adulto

Evolução de um pé chato da infância para a adolescência e no adulto, mas podendo igualmente ser primitivo no adulto devido ao envelhecimento e falta do trabalho muscular; podemos distinguir:

– pé chato flexível;
– pé chato contracturado;
– pé chato inveterado e artrósico.

O PÉ CHATO DA CRIANÇA

O Pé Chato Valgo Simples

Rebaixamento global do pé, horizontalizando-se e oscilando em valgo, com o arco interno decaindo, e as relações tálus-calcâneas mantendo-se normais.

É um pé chato estático e simples devido a uma hiperflacidez ligamentar e a uma hipotonia muscular que é igualmente secundária a outras deformações ortopédicas (genuvalgum-genu recurvatum – rotação do esqueleto das pernas).

O tratamento deste pé chato essencialmente benigno será ortopédico:

– uso de selas ortopédicas e de calçados de cano reforçado;
– Cinesioterapia;
– Tratamento das deformações secundárias eventuais.

Muitos destes pés chatos corrigem-se progressivamente sozinhos, e o tratamento só será empreendido a partir de três a quatro anos e nas formas graves (2º e sobretudo 3º graus).

CINESIOTERAPIA

» Exercício de tonificação:

– músculo tibial posterior;

– músculos próprios do grande artelho (hálux);

– fibular longo lateral e tibial anterior;

– tríceps;

– músculos intrínsecos do pé:

=> interósseos;

=> flexor curto dos dedos do pé;

» Exercícios:

– analíticos;

– em cadeira muscular Kabat (contrações repetidas);

– funcionais (preensão de objetos redondos, enganchamento etc).

» Exercícios diversos de distensão dos membros inferiores entrecortando a tonificação (evitar as cãibras) bem como massagem circulatória.

» Exercícios diversos de marcha:

– marcha corretora de Hauser;

– deslocamentos laterais sobre uma barra;

– marcha sobre plano inclinado;

– marcha sobre a ponta dos pés;

– pés nus sobre terreno variado e desigual (areia, seixos, gramado).

» exercícios de equilíbrio e de reeducação proprioceptiva sobre pranchas móveis e cilindros, do pé e do membro inferior em seu conjunto.

Observação:

Repetir este tratamento regularmente no consultório (duas a três séries por ano) e ensinar aos pais exercícios que serão de indispensável execução diária em casa.

O Pé Chato Valgo Congênito ou Verdadeiro Pé Chato

Caracterizado por um aumento importante da divergência tálus-calcânea (verticalização talar), um valgo calcâneo e uma redutibilidade passiva impossível.

É um pé que será essencialmente cirúrgico. Os principais métodos propostos são:

– as tenodeses e a osteotomia de translação calcânea;

– as técnicas de artrodeses subtalar: introdução de um enxerto ósseo ou de um implante artificial no seio do tarso;

– a “recolocação em sela do tálus” ou operação do “cavaleiro” ou “aparafusamento” de Judet, onde o cirurgião libera o tálus, reposiciona-o corretamente e fixa-o temporariamente por um parafuso tálus-calcâneo.

A cirurgia então será efetuada em tomo dos quatro a cinco anos.

Nas formas mais graves o tratamento ortopédico do pé chato valgo simples às vezes será o bastante.

CINESIOTERAPIA

Em geral: Imobilização gessada de seis semanas.

Após a retirada do gesso

– massagem trófica e cicatricial;

– mobilização progressiva (ativo assistida, depois passivo suave) da tibiotársica e das diversas articulações do pé;

– tonificação suave de todos os músculos do pé;

– colocação de carga progressiva após oito semanas e correção da marcha.

Após consolidação obtida (controle R.X.)

Cinesioterapia intensiva e regularmente repetida.

Pé Chato por Sinostese

A mais freqüente é a sinostese calcâneo-escafoidiana, ocasionando contrações e dores quando se caminha, depois de ocorrer a ossificação completa, e evoluindo para a artrose.

Impõe-se uma operação precoce.

Pé Chato Paralítico e Espástico

Seu tratamento cinesioterápico entrará no conjunto da afecção causal do pé chato.

PÉ CHATO DO ADOLESCENTE E DO ADULTO

Pé Chato Flácido

A deformação com rebaixamento da abóbada longitudinal interna e / ou valgo da parte posterior do pé, poderá ser corrigida ativamente. É o período dos problemas funcionais onde as dores só aparecerão episodicamente à noite e quando há grande fadiga dos pés.

CINESIOTERAPIA

Associada ao uso de bons calçados e de palmilhas ortopédicas bem adaptadas e individualizadas, o tratamento cinesioterápico, que será de longo
prazo (exercícios para repetir uma ou duas vezes por dia a domicílio) será idêntico ao do pé chato valgo simples na criança.

Pé Chato Contracturado

Doloroso, é conseqüência do pé chato flácido, ou de um traumatismo (entorse) ou de um dano reumático. As contraturas serão mais ou menos generalizadas a todos os músculos externos, com as deformações não podendo ser corrigidas ativamente e as dores despertando ao menor esforço. Nos casos agudos e especialmente os pés traumáticos e reumáticos, uma imobilização gessada de várias semanas será às vezes necessária antes de qualquer outro tratamento.

CINESIOTERAPIA

» Fase aguda

– Crioterapia (face antero-externa) substituída progressivamente pela termoterapia. (Parafina – compressas).

– Eletroterapia:

a) sedativa;

b) excitomotora dos antagonistas.

– trabalho isométrico dos antagonistas supinadores.

– massagem descontraturante e massagem reflexa.

– relaxamento.

» Fase subaguda

– banhos alternados quentes-frios (banho de contraste);

– massagem descontraturante e circulatória (mais massagem reflexa);

– relaxamento;

– mobilizações passivas não dolorosas de todas as articulações;

– exercícios ativos progressivos para pés chatos entremeados freqüentemente de relaxamento, e circulatórios (não ocasionando nem dor nem nova contratura).

– conselhos para a vida diária:

a) sapatos e selas adaptados;

b) limitar a permanência em pé e marchas prolongadas.

Pé Chato Inveterado e Pé Artrósico

Neste encontraremos subluxações, deformações ósseas e artrose. O pé mostra-se anquilosado e dolorido, a marcha é muito penosa.

– eletroterapia (O. C. U. S.);

– termoterapia (parafina – compressas);

– mobilização ativa do tornozelo;

– reeducação da marcha e uso de calçados e palmilhas adaptadas.

CIRURGIA

A cirurgia poderá ainda ser indicada:

No caso dos pés chatos flácidos:

Técnicas bastante diversas que exigirão uma longa imobilização gessada.

Cinesioterapia Pós-operartória

– massagem trófica e cicatricial;

– mobilizações passivas e ativas de todas as articulações;

– musculação progressiva.

Para o pé contraturado

Essencialmente artrodeses.

Cinesioterapia Pós-operartória

Idem ao item anterior, exceto naturalmente o trabalho de mobilização da região artrodesada.

CONCLUSÃO

Diante de toda a pesquisa feita para a realização deste trabalho, vimos que o pé é a porção de corpo do homem que serve de base de apoio e locomoção. O homem serve-se das pernas para suportar o peso do corpo. Liga-se aos ossos da perna pela articulação tibiotársica.

O esqueleto do pé compreende três segmentos: atrás, o tarso, constituído de sete ossos curtos dispostos em duas fileiras. Uma é posterior, formada pelo astrálago e pelo calcâneo. A outra é anterior, constituída pelo cubóide, o escafóide e os três cuneiformes.

Na parte média se situa o metatarso, com posto de cinco ossos longos, os metatársicos ou metatarsianos. As falanges, em número de três, para cada dedo exceto para o grande dedo que só possui duas falanges, se situam na frente.

As partes moles do pé comportam uma região dorsal e uma região plantar.

Vários ligamentos revestem as articulações de seu esqueleto.

A articulação da tíbia e do perônio com o astrágalo possibilita a extensão e a flexão do pé. A articulação do astrágalo como o calcâneo, os movimentos do pé para fora e para dentro.

As artérias que sobressaem-se são: a pediosa, tibial posterior e as arcadas plantares superficial e profunda.

Os nervos que se salientam são: o safeno interno, o safeno externo, o músculo-cutâneo e o tibial anterior.

O pé chato seja ele qual for, apresenta muita flexibilidade e pouca estabilidade, fazendo com que a criança ou o adulto pise para dentro, ou seja, ocorre um gasto maior da parte interna do sapato.

**Este artigo encontra-se publicado no site FisioWeb WGate – Referência em Fisioterapia na Internet – www.fisioweb.com.br

fonte: www.wgate.com.br/fisioweb

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