Osteoporose e At.Física

Publicado em 11 de janeiro de 2014

A associação entre a prática de atividade física e melhores padrões de saúde tem sido relatada desde os primeiros textos clássicos da medicina. Entretanto, somente durante os últimos 30 a 40 anos através de estudos experimentais e clínicos com melhor abordagem epidemiológica pode-se confirmar que o baixo nível de atividade física é um fator importante no desenvolvimento de doenças degenerativas, como o diabetes mellitus não insulino dependente, hipertensão, doença coronariana e osteoporose. Dados epidemiológicos do Estado de São Paulo1 evidenciam claramente que o sedentarismo é o fator de risco com maior prevalência na população, independente do sexo. Altos índices de morte provenientes de todas as causas são notados em grupos de pessoas sedentárias, que também tendem a demonstrar maior prevalência de certos tipos de câncer, como os de cólon e de mama.

Inversamente, atividade física pode reduzir o risco de desenvolvimento de doenças crônicas e poderia ser um fator chave para aumentar a longevidade.

Estudos epidemiológicos e experimentais evidenciam uma relação positiva entre a atividade física e a diminuição da mortalidade, sugerindo também um efeito positivo nos riscos de enfermidades cardiovasculares, perfil dos lipídeos plasmáticos, manutenção da densidade óssea, na redução das dores lombares e melhores perspectivas no controle de enfermidades respiratórias crônicas 3,4. Foram relatados ainda efeitos positivos no tratamento primário ou complementar da arterioesclerose, da enfermidade venosa periférica, da osteoporose, assim como benefícios psicológicos a curto prazo (diminuição da ansiedade e do estresse) e a longo prazo (alterações na depressão moderada, no estado de humor, auto-estima, atitudes positivas).

Mais recentemente tem-se demonstrado uma importante relação entre a intensidade de exercício e a resposta imunológica, tendo a literatura sido invadida por diversos estudos que evidenciam a menor prevalência de alguns tipos de câncer em grupos de pessoas mais ativas.

BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA PARA A SAÚDE

Os principais efeitos benéficos da atividade física e do exercício descritos na literatura são :

I. Efeitos antropométricos e neuromusculares:
– diminuição da gordura corporal
– incremento da massa muscular
– incremento da força muscular
– incremento da densidade óssea
– fortalecimento do tecido conetivo
– incremento da flexibilidade

II. Efeitos metabólicos:
– aumento do volume sistólico
– diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo
– aumento da potência aeróbica (VO2 máx.) 10-30%
– aumento da ventilação pulmonar
– diminuição da pressão arterial
– melhora do perfil lipídico
– melhora a sensibilidade a insulina

III. Efeitos psicológicos:
– melhora da auto-conceito
– melhora da auto-estima
– melhora da imagem corporal
– diminuição do stress e da ansiedade
– melhora da tensão muscular e da insônia
– diminuição do consumo de medicamentos
– melhora das funções cognitivas e da socialização

Com estes efeitos gerais do exercício tem-se mostrado benefício no controle, tratamento e prevenção de doenças como diabetes, enfermidade cardíaca, hipertensão, arteriosclerose, varizes, enfermidades respiratórias, artrose, artrite, dor crônica. e desordens mentais ou psicológicos.

ATIVIDADE FÍSICA E AS DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Existem varias revisões da associação entre inatividade física com risco de doenças cardiovasculares.6 As meta-análises têm indicado o dobro de risco de doenças cardiovasculares em indivíduos inativos quando comparados com os ativos. Nos estudos que têm avaliado a atividade física ocupacional, a inatividade (ou sedentarismo) está associada com 90% de aumento de risco de morte por doenças cardiovasculares (RR=1.90) e nos estudos de atividade física não ocupacional, a inatividade está associada com 60% de aumento de risco de morte (RR=1.6). De acordo com os resultados de diversos estudos populacionais, o indivíduo que deixa de ser sedentário para ser um pouco ativo diminui em 40 % o risco de morte por doenças cardiovasculares, demonstrando que uma pequena mudança no comportamento pode provocar grande melhora na saúde e qualidade de vida.1
Alguns dos mecanismos envolvidos no controle das doenças cardiovasculares descritos a partir dos trabalhos científicos incluem efeitos na arteroesclerose, trombose, pressão arterial, isquemia, perfil lipídico e arritmia:7

Hipertensão Arterial

Os benefícios da atividade física no controle da pressão arterial acontecem por diversos fatores diretos e indiretos da atividade física no organismo:

A – Alterações cardiovasculares:
– Diminuição da frequência cardíaca de repouso, debito cardíaco no repouso, resistência periférica e volume plasmático;
– Aumento da densidade capilar.

B – Alterações endócrinas e metabólicas:
– Diminuição da gordura corporal;
– Diminuição dos níveis de insulina;
– Diminuição na atividade do sistema nervoso simpático;
– Aumento da sensibilidade a insulina;
– Melhora da tolerância a glicose.

C – Composição corporal:
– Efeito diurético (nos exercícios em meio líquido);
– Aumento da massa muscular;
– Aumento da força muscular.

D – Comportamento:
– Diminuição do stress;
– Diminuição da ansiedade.

Arteroesclerose

Estudos em animais tem demonstrado que o exercício protege contra os efeitos do excesso de colesterol e outros fatores envolvidos no desenvolvimento da arteroesclerose . Da mesma maneira estudos longitudinais em sujeitos com doença coronariana tem mostrado que o treinamento de endurance junto com dieta e outras alterações dos fatores de risco ajudam na prevenção da progressão da placa ou reduzem a severidade da arteroesclerose nas coronarias.
Perfil Lipídico

A relação de atividade física com o perfil lipídico tem sido amplamente estudada. De mais de 60 estudos feitos em homens e mulheres metade tem mostrado que o exercício está associado com um incremento do HDL, relação que parece ser mais evidente quando o exercício é feito em intensidade moderada. 9
Levando em consideração todas essas evidências o National Institutes of Health dos Estados Unidos em 199510 publicou um consenso sobre atividade física para saúde cardiovascular e recomenda a população acumular pelo menos 30 minutos de atividade física moderada, na maior parte dos dias da semana, de preferência todos. A atividade pode ser feita de forma contínua ou em sessões de pelo menos 10 minutos, incluindo tarefas da vida diária e atividades ocupacionais.

BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

Existem cada vez mais evidências científicas apontando o efeito benéfico de um estilo de vida ativo na manutenção da capacidade funcional e da autonomia física durante o processo de envelhecimento.11 Além dos benefícios já citados anteriormente pela atividade aeróbica existem também importantes benefícios do treinamento de força muscular no adulto e na terceira idade :

– Melhora da velocidade de andar
– Melhora do equilíbrio
– Aumento do nível de atividade física expontânea
– Melhora da auto-eficácia
– Contribuição na manutenção e/ou aumento da densidade óssea
– Ajuda no controle do Diabetes, artrite, Doença cardíaca
– Melhora da ingestão alimentar
– Diminuição da depressão

Uma das principais causas de acidentes e de incapacidade na terceira idade é a queda que geralmente acontece por anormalidades do equilíbrio, fraqueza muscular, desordens visuais, anormalidades do passo, doença cardiovascular, alteração cognitiva e consumo de alguns medicamentos. O exercício contribui na prevenção das quedas através de diferentes mecanismos:

1- Fortalece os músculos das pernas e costas;
2- Melhora os reflexos;
3- Melhora a sinergia motora das reações posturais;
4- Melhora a velocidade de andar;
5- Incrementa a flexibilidade;
6- Mantem o peso corporal;
7- Melhora a mobilidade;
8- Diminui o risco de doença cardiovascular.

Segundo dados científicos a participação em um programa de exercício leva à redução de 25% nos casos de doenças cardiovasculares, 10% nos casos de acidente vascular cerebral, doença respiratória crônica e distúrbios mentais. Talvez o mais importante seja o fato que reduz de 30% para 10% o número de indivíduos incapazes de cuidar de si mesmos, além de desempenhar papel fundamental para facilitar a adaptação a aposentadoria. 12

EFEITOS PSICOLÓGICOS E COGNITIVOS DA ATIVIDADE FÍSICA

Além dos benefícios fisiológicos da atividade física no organismo, as evidências mostram que existem alterações nas funções cognitivas dos indivíduos envolvidos em atividade física regular. Estas evidências sugerem que o processo cognitivo seria mais rápido e mais eficiente em indivíduos fisicamente ativos por mecanismos diretos: melhora na circulação cerebral, alteração na síntese e degradação de neurotransmissores ; e mecanismos indiretos como: diminuição da pressão arterial, diminuição nos níveis de LDL no plasma, diminuição dos níveis de triglicerídeos e inibição da agregação plaquetária. 13

Dentre os efeitos psicológicos, a diminuição da tensão emocional pode ser considerada como um dos mais importantes e alguns dos seus mecanismos a curto e a longo prazo tem sido descritos na literatura: 14

A – Efeitos a curto prazo:
1. Aumento do fluxo sangüíneo cortical;
2. Alterações nas aminas biogênicas;
3. Liberação de opiódes endógenos;
4. Aumento da temperatura corporal;
5. Melhora da resposta ao stress : aumenta a neurotransmissão de catecolaminas e diminui a tensão muscular;
6. Modifica a atividade das ondas cerebrais.
B- Efeitos a longo prazo:
1. Alterações nos níveis e características das catecolaminas cerebrais;
2. Alteração da transmissão sináptica;
3. Liberação de opiódes endógenos;

ATIVIDADE FÍSICA E LONGEVIDADE

Um dos aspectos mais fascinantes que tem sido motivo de várias pesquisas é a relação entre o exercício e a longevidade. Os estudos têm demonstrado que os indivíduos fisicamente ativos apresentam menor deterioração da aptidão física. Paffenbarger15 acompanhou aproximadamente 14.000 ex-alunos de Harvard, por 22 anos, e observou que os indivíduos que pararam de praticar esportes tiveram 35% de incremento no risco de morte sobre aqueles que continuaram sedentários. Porém aqueles que começaram a praticar esportes experimentaram índice 21% menor de morte que aqueles habitualmente sedentários. Aqueles que se tornaram mais ativos experimentaram um índice 28% menor de morte e os que sempre se mantiveram ativos, um índice 37% menor que os que nunca fizeram exercícios vigorosos. Com a mesma amostra dividida em três grupos de acordo com a energia gasta em atividades como caminhar, subir escadas e praticar esportes, o autor achou um incremento na expectativa de vida maior nos indivíduos que eram mais jovens quando entraram no estudo e nos mais ativos (2.000 cal/sem) quando comparados aos menos ativos (500 kcal/sem) e moderadamente ativos (501-1.999 kcal/sem). 0 aumento na expectativa de vida quando os mais ativos foram comparados aos pouco ativos foi em média de 2,51 anos para indivíduos de 35-39 anos de idade no início do estudo e de 0,42 anos nos indivíduos de 75-79 anos. Um dado também interessante foi o fato de que a porcentagem de indivíduos maiores de 80 anos foi maior entre indivíduos mais ativos (69,7%) do que nos menos ativos (59,8%). Evidências epidemiológicas mais recentes16 com 5.567 homens de 40 a 59 anos de idade sustentam que o hábito de realizar atividades físicas leves ou moderadas reduz a taxa de mortalidade total e a de mortalidade por causa cardiovascular em homens de idade avançada.

OBESIDADE E ATIVIDADE FÍSICA

As duas áreas de prioridade nas estratégias de prevenção, controle e tratamento da obesidade são o incremento do nível de atividade física e a melhora na qualidade da dieta. O mais importante em termos de incremento do nível de atividade física é o estímulo para evitar os hábitos sedentários e a adoção de um estilo de vida ativo. Existem várias evidências científicas apontando que o controle da ingestão alimentar junto com o exercício ou atividade física regular são mais efetivos no controle do peso corporal. Os mecanismos que a literatura científica aponta para esse efeito benéfico são: 17

1. Aumento do gasto energético
2. Melhora da composição corporal:
a- Perda de gordura
b- Preservação da massa magra
c- Diminuição do depósito de gordura visceral
3. Aumento na capacidade de mobilização e oxidação da gordura
4. Controle da ingestão alimentar
a- Redução do apetite a curto prazo
b- Redução da ingestão de gordura
5. Estimulação da resposta termogênica
a- Taxa Metabólica de Repouso
b- Termogênese induzida pela dieta
6. Mudança na morfologia do músculo e na capacidade bioquímica
7. Aumento da sensibilidade à insulina
8. Melhora no perfil de lipídeos plasmáticos e lipoproteinas
9. Diminuição da pressão sangüínea
10. Melhora do condicionamento físico
11. Efeitos psicológicos: melhora da auto-estima, auto-imagem, auto-conceito, menor ansiedade, depressão

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CÂNCER E ATIVIDADE FÍSICA

Finalmente outro fato relevante é a relação entre o câncer e a atividade física. No tradicional estudo de Paffenbarger, já citado anteriormente, ele comparou o risco de morte durante o período de seguimento dos mais de 14.000 ex-alunos de Harvard e este se tornou progressivamente menor à medida que a atividade física era incrementada. Uma diminuição nas taxas de morte foi observada para cada causa, mas principalmente e altamente significativa para causas cardiovasculares e respiratórias. O mesmo fato aconteceu com a mortalidade por câncer, sendo que as taxas de morte por câncer de cólon e reto tenderam a ter relação direta com o índice de atividade física. No entanto, altos níveis de atividade física não tenham sido relacionados à mortalidade por câncer de próstata. Outra observação interessante que pode ser feita a partir deste estudo é que, em alguns casos, se a atividade leve não provoca nenhum efeito positivo na redução da mortalidade por câncer, a atividade física muito intensa também não teve efeito protetor. A partir de pesquisas realizadas em indivíduos atletas e não-atletas e do tipo de atividade física realizada de acordo com o tipo de trabalho ocupacional, tem se mostrado basicamente que há diminuição no risco relativo de câncer de cólon nos indivíduos fisicamente ativos; existe menor incidência de câncer de seio e do sistema reprodutivo nas mulheres atletas; uma tendência da mulher atleta ter menor incidência de câncer de tiróide, bexiga, pulmões, no sistema digestivo e hematopoiético; menor incidência nos indivíduos ativos do câncer de reto, próstata, pele e melanomas.

Outra utilidade evidenciada da atividade física foi na diminuição da náusea causada pela quimioterapia: 80% das pessoas submetidas a um programa de exercício aeróbico na bicicleta, 3 vezes por semana, durante 10 semanas, melhoraram o sintoma quando comparadas com 14% das que recebiam placebo e 29% das inativas. Os mecanismos que têm sido sugeridos para explicar esta associação entre câncer e atividade física são:11

– alteram a maturação e a função das células imunes;
– mudanças nos índices de linfócitos T tipo “helper” supressores”;
– ativação das células “killer”;
– estimulação da liberação de interleucina – 2;
– incremento na secreção de imunoglubinas séricas;
– diminuição dos níveis de estrógenos e da adiposidade nas mulheres atletas;
– alterações nos hábitos dietéticos e intestinais secundários ao envolvimento na prática de atividade física.

OSTEOPOROSE E ATIVIDADE FÍSICA

Dados obtidos em atletas ou em indivíduos fisicamente ativos mostram o efeito benéfico do exercício na densidade dos ossos, já que se observa que esses indivíduos possuem porcentagem maior de densidade óssea, que varia de acordo com o estudo, em relação aos indivíduos sedentários. Diferentes estudos com diversos programas de atividade física têm demonstrado na sua grande maioria que o exercício também tem efeito benéfico no sistema esquelético dessas mulheres. Em relação às mulheres inativas que diminuem sua densidade óssea no mesmo período de tempo, as mulheres fisicamente ativas incrementam sua porcentagem de densidade óssea em média de 2-5%. A atividade física, dependendo da época de início, da duração e da intensidade, tem-se mostrado capaz de incrementar o pico de massa óssea, manter a massa óssea que o indivíduo tem e diminuir a perda da densidade óssea que acontece com a idade. 18

A prescrição de exercício nestes casos vai depender se o objetivo é a prevenção, o tratamento ou a reabilitação. Para prevenção estão indicadas, no idoso, atividades que suportam peso como o caminhar, correr ou “jogging”. Já para o paciente com alto risco de osteoporose ou com presença de fraturas, as atividades que envolvam suportar peso estão contra-indicadas. Nestes casos são recomendáveis atividades como a natação e pedalar na bicicleta estacionária. Em todos as casos são fundamentais exercícios para fortalecer a musculatura, principalmente a abdominal e lombar e evitar sempre exercícios que requeiram flexão da coluna ou torsão do tronco, assim como não está indicada a prática de tênis, golfe ou boliche.11

RECOMENDAÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE

Recentemente, estudiosos perceberam que a associação de atividade física e saúde não necessita de horas e horas de exercícios intensos. Pequenas sessões de trinta minutos por dia, na maior parte dos dias da semana, desenvolvidas continuamente ou mesmo em períodos cumulativos de 10 a 15 minutos19, em moderada intensidade, podem representar o limiar para população em geral adquirir o “Passaporte para Saúde”. Para marcar este gol, cientistas do esporte e autoridades em saúde, sugerem que todos deveriam se envolver em atividades físicas no seu dia-a-dia em casa, no trabalho ou na sua comunidade. Essas “aulas de treinamento” poderiam incluir subidas ou descidas de escadas, passeios com o cachorro, jardinagem, lavagem de carros, caminhadas em ritmo ligeiro, dançar, pedalar ou nadar, entre outras. Lembrando que atividade física é qualquer movimento corporal que resulta em gasto energético acima do basal.

Estas novas recomendações são confirmadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE), Centro do Controle e Prevenção de Doença-USA (CDC), Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS) e Associação Americana de Cardiologia, entre outros. Essa nova mensagem tem recebido apoio de importantes congressos e tem sido adotada por programas nacionais em diferentes países. O incremento da atividade física é o foco principal dessas campanhas nacionais como o “Active Living” no Canadá, “Health People 2000” nos Estados Unidos, “Active for Life” na Inglaterra e outros que beneficiarão amplos segmentos da população nos próximos anos.
Infelizmente, este tipo de iniciativa raramente tem sido adotado por países em desenvolvimento, onde muitas pessoas se encontram em um alto risco de sedentarismo, em particular nos segmentos de menor nível educacional, baixo nível sócio-econômico e grupos subnutridos.

Levando em consideração este cenário, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo solicitou ao Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul- CELAFISCS que desenvolvesse um programa para promover saúde através da atividade física. Foram dois anos de preparação que incluiu assessoria do “Center for Disease Control” dos Estados Unidos, “Health Education Authority” da Inglaterra e do “Institute for Aerobic Research” de Dallas, Texas. O programa “Agita São Paulo” foi lançado em dezembro de 1996 com dois objetivos básicos : a-incrementar o conhecimento da população sobre os benefícios da atividade física e b- aumentar o envolvimento da população com a atividade física. A proposta básica consiste em elevar em pelo menos um nível a atividade física de cada pessoa, em outras palavras: a- incentivar o sedentário a ser pelo menos um pouco ativo, b- o indivíduo pouco ativo se tornar regularmente ativo; c- este a ser muito ativo e d- e o muito ativo se manter neste nível.

Apoiado nas novas recomendações mencionadas anteriormente, o “Agita São Paulo” tem três alvos : os escolares (crianças e adolescentes) , os trabalhadores (colarinho branco e azul ) e os idosos.
O Programa que conta com o apoio de 114 instituições parceiras, dentre as quais a Associação Paulista de Medicina (APM) de São Paulo, enfatiza a recomendação mundial10 de que todo indivíduo deve:

a- Realizar atividades físicas de intensidade moderada;
b- Pelo menos 30 minutos por dia;
c- Na maior parte dos dias da semana, se possível todos;
d- De forma contínua ou acumulada.
O mais importante deste novo conceito é que qualquer atividade da vida cotidiana é válida (ou que atividade física deve ser incorporada ao cotidiano) e que as atividades podem ser realizadas de forma contínua ou intervalada, ou seja o importante é “acumular” durante o dia pelo menos 30 minutos de atividade.

REFERÊNCIAS

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