Lesões no Tendão de Aquiles

Publicado em 24 de fevereiro de 2015

 Lesões no Tendão de Aquiles

Para melhor se compreender a natureza e o tratamento deste tipo de tendinite, há que fazer uma breve descrição da região posterior da perna e do pé.

As Lesões no Tendão de Aquiles

As Lesões no Tendão de Aquiles

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O músculo gastrocnêmios é um músculo largo que tem a sua inserção na parte posterior e inferior da perna (côndilos laterais e médios do fêmur).

Este músculo da parte posterior da perna termina num tendão liso situado na parte inferior, inserido no calcâneo.

Esse tendão é, normalmente, referenciado como sendo o de Aquiles, onde existe outro pequeno músculo que se prolonga e é conhecido por Soleus.
Se olharmos para a parte posterior, ao nível do calcâneos, notamos que é largo na superfície plantar e estreito na dorsal, enquanto que o calcâneos tem uma parte mais rugosa, onde se situa o tendão de Aquiles.

Na grande maioria dos casos as tendinites no tendão de Aquiles são devidas ao seguinte:
– a uma forte ação com o peso da parte anterior do pé e com o joelho esticado, tal como numa partida para provas de velocidade;
– a repentina e inesperada flexão do tornozelo quando num lançamento ou num salto;
– a uma brusca e violenta flexão do plantar na zona do pé;
A todo um conjunto de problemas biomecânicos do pé (pé chato,grande arco do pé, etc);
– a um excesso de exercícios repetidos, fazendo incidir nesta região elevadas percentagens de quilômetros, sem uma base crescente de treino.

Como reconhecer uma tendinite no tendão de Aquiles ou uma ruptura:

A dor está presente quando se corre ou quando se efetua um treino de cargas, com uma sensação de “rigidez” quando, ao acordar, se dá os primeiros passos, descalço. A dor pode ser aguda e penetrante ou de intensidade menor, mas generalizada.

Numa zona média, próxima do tendão,é evidente uma pequena dor, notando-se, nos casos mais graves, uma fibrose ou uma espécie de nó na parte posterior do tendão.

Se o plantar não fletir é geralmente um sinal positivo e uma prova de que o tendão se encontra com rotura ou inflamado.

Aspectos a ter em conta para fortalecer os tendões e prevenir as tendinites:

– evitar o excesso de treino.

Na grande parte dos casos esta lesão deve-se a erros cometidos na planificação do treino. O excesso de treino está diretamente relacionado com um aumento súbito ou prolongado do esforço.

A evitar:

– Progressão muito rápida

– Percursos muito longos

– Corridas repetidas, difíceis, com períodos de repouso curtos

– Modificações grandes no ritmo de treino

– Terrenos acidentados, com subidas e descidas constantes.

– corrigir as anomalias morfológicas

– Pé em pronação excessiva (pé chato)

– Pé demasiado rígido na zona plantar

– Joelho varo (pernas arqueadas)

– Joelho valgo (joelhos em x)

– Desigualdade, mesmo mínima, do comprimento das pernas (6mm).

Para esta última anomalia, é bom lembrar que, em plena maratona, cada pé toca no chão, mais ou menos 28.000 a 30.000 vezes, o que significa que uma diferença, mesmo mínima, será responsável por diferentes sobrecargas nos tendões. Se a diferença for de 10 mm, chegamos a um desnível total de 250 metros no fim da maratona, aspecto só por si compreensível e quase certo de provocar grave lesão.

– amortecer os choques

Para podermos reduzir os choques, toma-se necessário:

– Diminuir o peso do corpo

– Adaptar o uso de palmilhas de eficaz proteção

– Adquirir bons sapatos de treino.

Quando estamos a correr, o choque plantar corresponde a uma força de 3 a 10 vezes o peso do corpo e de acordo com o perfil, natureza do terreno e peso do corredor. O impacto do pé no chão é absorvido em parte, pelo sapato e transmitido diretamente á perna e ao dorso. Assim, a mais pequena anomalia mecânica (má formação do pé, perna mais curta), que passa totalmente despercebida ao caminharmos, em plena corrida, transforma-se em verdadeira lesão.

Ao comprar sapatos de corrida, não esquecer:

– Comprar um tamanho acima da medida dos sapatos do dia a dia (pois o volume do pé aumenta proporcionalmente com a distância percorrida)

– Sola exterior preparada para o terreno que vamos pisar

– Sola intermediária flexível, permitindo uma boa mobilidade

– O salto deve estar compensado e com uma altura de 10 a 15 mm.
A nível do calcanhar o sapato deve ter uma boa proteção e estabilidade.

– alongamentos, antes e depois

As nossas pernas estão envolvidas por dois grandes grupos musculares:

Na parte de trás, os músculos extensores, que vão terminar junto do tendão de Aquiles.

Na parte da frente, os músculos pré-tibiais flexores.

A prática da corrida tende a fortificar os músculos extensores posteriores, em detrimento dos flexores anteriores. Esta característica favorece as distensões dos músculos fortes (posteriores) e o esgotamento dos músculos fracos (anteriores). A prevenção destes acidentes passa por um reforço (musculação) dos flexores e por um alongamento dos extensores.

– efetuar um bom aquecimento

É importante antes de qualquer treino aquecer a globalidade da musculatura (coração e músculos dos membros) realizando cerca de 20 a 30 minutos de exercícios e ligeiros trotes.

No Inverno quando faz muito frio, para além deste período de aquecimento, que pode ser efetuado numa zona coberta, é necessário protegerem-se os tendões do frio, utilizando meias mais quentes e mesmo calças de treino.

– evitar qualquer tipo de musculação brusca

Solidário com o músculo, o tendão não tem as vantagens deste nem a sua “força”, continuando o mesmo qualquer que seja o grau de treino. Não se pode “musculá-lo”… Esta particularidade apresenta alguns inconvenientes para o tendão, sobretudo quando o músculo se torna excessivamente possante para um cabo de transmissão fraco.

– outros cuidados importantes a ter

. Beber muita água

. Limitar o consumo de carne

. Consultar o dentista ao mínimo foco infeccioso

Tratamento:

Assim que surge a primeira suspeita de tendinite, seguir logo a conhecida fórmula “R.I.C.E.”:

R = REPOUSO
I = IMOBILIZAÇÃO
C = COMPRESSÃO
E = ELEVAÇÃO

Conclusão

Nas primeiras 48 horas o pé e o tornozelo devem estar elevados, estando a parte posterior da perna colocada sob gelo, que deve ser removido durante 15 minutos em cada hora.

Deve-se usar umas simples muletas ou qualquer outro tipo de apoio e nos casos mais graves será necessário a injeção imediata de uma solução (…) para permitir uma rápida diminuição da dilatação local.

Depois de um período inicial de 48 horas, o atleta deve ser aconselhado a fazer hidroterapia durante cerca de 20 minutos por dia e, com cautela começar a dar os primeiros passos, havendo o cuidado de se colocar uma ligadura em volta do tornozelo, tendo em vista uma maior proteção.

Na maioria dos casos, aproximadamente duas semanas depois (nos casos mais graves pode chegar às seis semanas), o atleta deve começar a andar rapidamente, dando, até, alguns passos de corrida. Se ao fim de dez dias, a dor já não aparecer, deve-se começar com um pequeno programa de treino, dando muita atenção aos exercícios de flexibilidade. Os exercícios de flexibilidade são importantes e fundamentais para se evitarem problemas na cura das tendinites.

Nos treinos o atleta deve usar sapatos com sola protetora do calcanhar e hoje em dia a maioria dos sapatos à venda já possui essa característica.

**Este artigo encontra-se publicado no site FisioWeb WGate – Referência em Fisioterapia na Internet – www.fisioweb.com.br

fonte: www.wgate.com.br/fisioweb

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