Laser Hélio-Neônio

Publicado em 15 de dezembro de 2014

Laser de Hélio-Neônio no processo de cicatrização de feridas em ratos

Laser Hélio-Neônio

Foram utilizados nove ratos da linhagem Wistar, os quais foram subdivididos em três subgrupos contendo três ratos em cada para se observar o processo de cicatrização em suas diferentes fases. Na região lateral de ambas as patas traseiras de cada animal, foi realizada uma incisão pérfuro-cortante com 3 cm de extensão sob o efeito de anestésico. A pata esquerda dos animais foi utilizada como teste e a direita como controle. Foram aplicados 3 Joules por centímetro quadrado de área, em três pontos distintos da ferida. Os animais foram sacrificados de acordo com o número de irradiações efetuadas, no 4º, 7º e 11º dia. Ao longo de todo o processo de cicatrização, foram observadas diferenças macroscópicas apenas no primeiro dia de sacrifício. Histologicamente, foram observadas diferenças significativas em todo o processo cicatricial.

Laser Hélio-Neônio

Laser Hélio-Neônio

ABSTRACT

In this experimental study, the wound healing process in rats was investigated after treatment with low potency laser. Nine Wistar rats were utilizated, subdivided into three subgroups, each subgroup with three rats, to observ the wound healing process in its diferent phases. On the lateral region of both hind legs in each animal, a 3cm extension perforating cut was realizated upon the anesthesic effect. The left paw was utilizated as test and the right, as control. Three Joules per cm2 of area were aplicated, on three different regions of the wound. The animals were sacrificated every four days. During all the repairing process, macroscopics differences were observed only on the first day of sacrifice. Histologically, singnificant differences were observed during the whole repairing process.

INTRODUÇÃO

A partir de sua adaptação à prática terapêutica, realizada por Sinclair e Knoll em 1965, o laser vêm sendo estudado em diferentes campos de atuação. No que se refere ao laser de baixa potência, os efeitos mais descritos na literatura são em relação à estimulação do processo de cicatrização.

A maioria dos estudos realizados, demonstram que o laser de baixa potência exerce um efeito positivo no processo de cicatrização. Estes efeitos se referem à aceleração do processo e aumento da resistência do tecido cicatricial(Mester e cols,1973). Entretanto, alguns pesquisadores relatam não haver qualquer diferença na evolução do processo de reparo entre uma ferida irradiada e outra controle(Cambier e cols,1996). Esses achados contraditórios geram dúvidas em relação a sua eficácia. As dúvidas também são alimentadas pela falta de explicações concretas em relação aos mecanismos de ação da radiação laser.

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo foi realizado utilizando-se o Laser Hélio-Neônio (HeNe) , o qual foi calibrado no Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco. A potência de saída do Laser HeNe corresponde a 1,4mW, e o comprimento de onda de 633nm. Foram utilizados 9 ratos da espécie wistar, com idade de cinco meses e peso médio de 300g.

Os animais foram divididos em 3 subgrupos contendo 3 ratos em cada, para que se pudesse realizar a análise das diferentes etapas do processo de cicatrização. Os animais foram anestesiados com Tiopental Sódico, com uma dosagem de 30mg/Kg de peso. Após anestesiados, foi realizada tricotomia na região lateral de ambas as patas traseiras de cada rato, onde, em seguida foi realizada uma incisão pérfuro-cortante de forma linear com 3cm de extensão, com a utilização de um bisturí cirúrgico BD nº15. Para isso os ratos estavam sob o efeito de anestésico, sendo utilizado o Tiopental Sódico, com uma dosagem de 30mg/Kg de peso. Após hemostasia realizada por pressão manual, foi iniciada a aplicação do Laser HeNe na incisão da pata esquerda , utilizando-se a direita como controle. A dosagem foi estabelecida em 3 Joules por centímetro quadrado de área. Foi realizada aplicação pontual, em 3 pontos da ferida, sendo um ponto central e um ponto em cada extremidade. O número de aplicações de laser foi estabelecida de acordo com os subgrupos:

SUBGRUPO 1: recebeu 3 aplicações e 24h após a 3º aplicação foi sacrificado.

SUBGRUPO 2: recebeu 6 aplicações e 24h após a 6º aplicação foi sacrificado.

SUBGRUPO 3: recebeu 10 aplicações e 24h após a 10º aplicação foi sacrificado.

Os animais foram sacrificados pela inalação de éter, e após o óbito, foram retiradas as amostras das feridas, onde foram respeitadas a extensão e a profundidade das feridas. Posteriormente, as amostras foram levadas para análise histológica.

As feridas foram analisadas macroscopicamente de acordo com a presença ou não de infecção e com o grau de fechamento da ferida. A presença de infecção foi avaliada pela aferição da temperatura e observação da presença ou não de supuração, ambas realizadas diariamente. O grau de fechamento da ferida foi avaliado pelo acompanhamento de fotos realizadas nos dias de sacrifício.

Foram analisados 5 parâmetros importantes no processo de cicatrização: infiltração leucocitária, neovascularização, proliferação fibroblástica, colagenização e epitelização. Esses parâmetros foram avaliados qualitativamente de acordo com a evolução do processo de cicatrização.

Para análise histológica, fragmentos de tecido no qual realizou-se a aplicação do laser, foram retirados e fixados em Bovin, permanecendo por 24h. Decorrido esse período, o material foi processado rotineiramente por inclusão em parafina. Os blocos resultantes foram submetidos à microtomia. Os cortes de 5 micrômetros obtidos foram corados com Hematoxilina-Eosina.

RESULTADOS

ANÁLISE MACROSCÓPICA

foram observadas diferenças apenas no subgrupo 1 (sacrificado após a terceira aplicação de laser), onde a ferida irradiada se apresentava mais superficial e com menos secreção purulenta em relação a ferida controle. No restante dos subgrupos, que receberam 6 e 10 aplicações de laser, o comportamento da ferida irradiada e da controle no dia do sacrifício era semelhante, não havendo diferenças entre elas.

ANÁLISE MICROSCÓPICA

No subgrupo 1 (recebeu 3 aplicações de laser), o aspecto que se destacou no dia do sacrifício, foi a intensa reação inflamatória aguda, atingindo também planos musculares na ferida irradiada. Na ferida controle, a reação inflamatória aguda se apresentava de forma moderada e não atingia o plano muscular.

No subgrupo 2 (recebeu 6 aplicações de laser), se destacava na ferida irradiada, o início da estruturação do tecido de granulação rico em vasos neoformados. Nesse período, se observava também uma intensa proliferação fibroblástica e colagenização. Entretanto, a ferida controle apresentava a*inda uma reação inflamatória aguda. O tecido de granulação era menos pronunciado, com uma discreta proliferação fibroblástica.

No subgrupo 3 (recebeu 10 aplicações de laser), a ferida irradiada já apresentava recuperação total do tecido (fig. 1), enquanto que a controle ainda estava em fase de resolução, apresentando evidente epitelização (fig. 2). Estima-se que dentro de um período de 24 horas, a ferida controle atingiria o estágio em que se encontrava a ferida irradiada.

DISCUSSÃO

Há vários relatos descrevendo os efeitos da radiação laser de baixa potência no processo de regeneração tecidual. Alguns pesquisadores afirmam que a reação inflamatória aguda, subsequente a uma lesão tecidual, produz um infiltrado leucocitário mais acentuado quando a região é submetida a radiação do laser HeNe (Bisht e cols, 1994). Esse mesmo evento foi observado em nosso estudo, onde foi evidenciada, nos primeiros 4 dias, maior celularidade na ferida teste em relação à controle, além de atingir planos mais profundos. Na fase crônica, a atividade fagocitária dos macrófagos se mostra intensificada sob o estímulo do mesmo tipo de laser (Mester e cols, 1971). Entretanto, o laser de HeNe, quando aplicado em ulcerações por queimadura, não demonstrou nenhuma alteração da resposta inflamatória, quando comparado a um grupo controle (Hall e cols,1994).

Outros efeitos sugeridos para a radiação laser de baixa potência incluem a intensificação da proliferação fibroblástica e consequente deposição colágena (Breugel e cols,1992, Vacca e cols,1993, Bisht e cols,1994) e neovascularização mais acentuada na fase inicial de formação do tecido de granulação (Takahashi e cols,1992). De acordo com esses achados, o presente estudo demonstrou na ferida irradiada, uma intensa proliferação fibrocolágena a partir do 6º dia de irradiação pelo laser, quando começava a se estruturar o tecido de granulação rico em vasos neoformados. Apesar desses resultados serem compatíveis, alguns estudos demonstram que a irradiaçào do tecido lesado com o laser de HeNe não provoca nenhuma alteração do processo de cicatrização normal (Asencio e cols,1992, Cambier e cols,1996). A epitelização também parece acelerada em feridas irradiadas com o laser de HeNe (Neiburger e cols,1995). Esse efeito também foi observado em nosso estudo quando comparamos as feridas, teste e controle, no décimo primeiro dia de pós operatório.

Embora muitos estudos tenham sido realizados, a documentação dos efeitos da radiação laser de baixa potência ainda é insuficiente para que se possa afirmar de forma conclusiva os benefícios trazidos por esse material. Resultados contraditórios ainda persistem, tornando necessária a continuação desses estudos buscando explicações objetivas sobre como o laser pode influenciar o tecido biológico. Assim como outros estudos que possam explicar a forma com que o laser atua nos tecidos alterando o funcionamento de seus constituintes.

CONCLUSÃO

O conjunto de lâminas examinadas sugere que o estímulo da radiação laser no tecido, faz desencadear uma reação inflamatória mais intensa nos primeiros dias e mobiliza células do exsudato inflamatório com mais facilidade. Ao mesmo tempo, o processo cicatricial parece ser acelerado.

Não foi nosso objetivo tentar explicar a forma com que o laser atua nos tecidos, alterando o funcionamento de seus constituintes. O objetivo foi de avaliar uma possível alteração no tecido irradiado e, havendo, demonstrar quais alterações ocorreram.

REFERÊNCIAS

1. ASENCIO e cols. Endoscopic enhancement of the healing of high-risk colon anasthomosis by low power HeNe laser. An experimrntal study. Deseases of the Colon and Rectum, 35(6), 568-573, jun. 1992.

2. BISHT -D e cols. Effect of low intensity laser radiation on healing of open skin wounds in rats. Indian – J – Med – Res, 100, 43 – 46, july, 1994.

3. BREUGEL – HH; BAR – PR. Power density and exposure time of HeNe laser irradiation are more important than total energy dose in photobiomodulation of human fibroblasts in vitro. Lasers – Surg – Med, 12(5), 528-537, 1992.

4. CAMBIER – DC e cols. Low-power laser and healing of burns: a preliminary assay. Past – Recontr – Surg, 97(3), 555-558, mar. 1996.

5. HALL – G e Cols. Effect of low level energy laser irradiation on wound healing: an experimental study in rats. Swed – Dent – J, 18(1-2) 29-34, 1994

6. MESTER- E e cols. Effect of laser rays on wound healing. Am – j – Surg, 122:532, 1971.

7. MESTER -E e JÁSZSÁGI – NAGY- É. The effect of laser radiation on wound healing and collagen synthesis. Study Biophys, 1973; 35: 227-30.

8. NEIBURGER – EJ. The effect of low power lasers on intraoral wound healing. N- Y – State – Dent – J, 61(3), 40-43, mar. 1995.

9. TAKAHASHI – Y e cols. Neovascularization effect with HeNe laser in the rat trachea. Thorac – Cardiovasc – Surg, 40(5), 288-291, oct,1992.

10. VACCA e cols. Activation of mitochondria DNA replication by HeNe laser irradiation. Biochm – Biophys – Res – Commum, 195(2), 704-709, sept, 1993.

Autores: Leonardo Azevedo, Lúcia Freire, Frederico Amorim.

fonte.http://www.fisionet.com.br/artigos/interna.asp?cod=5

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