Hidroterapia em Piscina Aquecida

Publicado em 26 de novembro de 2014

A Utilização da Hidroterapia (em Piscina Aquecida)…

Os reflexos tônicos responsáveis pela manutenção desta postura anormal contra a gravidade são o resultado de um estado filogenéticamente mais antigo de controle postural, pode ser considerada a primeira tentativa da natureza de controle postural contra a gravidade.

A criança espástica possui hipersensibilidade aos estímulos sensoriais, clônus, reflexos tendíneos profundos hiperativos devido a hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento, postura ou movimento anormal dos membros, dificuldade de coordenação motora, fraqueza muscular, e presença de reflexos cutaneo-musculares patológicos, como sinal de Babinski.

Podem também apresentar sinergias anormais de movimento podendo estar presente reações associadas e padrões extensores ou flexores de movimento ao esforço, isso poderá levar ao mal equilíbrio, e inicio mais lento do movimento em comparação com a criança não espástica. A estabilidade postural estará diminuída, que levará a redução da força, do equilíbrio e habilidade nas tarefas diárias. Pode ocorrer o desenvolvimento de contraturas e deformidades na coluna vertebral e nos membros prejudicando ainda mais sua mobilidade e marcha.

Ao exame físico os membros espásticos demonstram aumento de resistência ao estiramento passivo, que é maior no inicio, diminuindo com a continuidade do movimento, a resistência ao movimento passivo aumenta com o aumento da amplitude e a velocidade imposta, classicamente a espásticidade está presente em flexores no membro superior e extensores do membro inferior.

Hidroterapia

A água é utilizada como meio curativo des dos tempos mais remotos, os romanos já utilizavam se de banhos quentes e frios com a finalidade tanto recreacionais como curativas, Galeno(médico) também instruía sobre seu uso. Em 1697, o médico inglês Jonh Floyer publicou uma pesquisa sobre o uso correto e o abuso dos banhos. Após a primeira guerra mundial com a publicação dos primeiros trabalhos sobre o uso da água no tratamento de doenças reumáticas e do aparelho locomotor o método começou a ser aceito como parte do programa de reabilitação em muitos centros do mundo e devido há vários resultados satisfatórios a hidroterapia pôde se firmar no panorama mundial da saúde.

O termo hidroterapia significa toda a aplicação externa de água com finalidade terapêutica. Este tipo de fisioterapia de reabilitação subaquática ocupa-se de exercícios e movimentos determinados pela necessidade especifica de cada indivíduo.

A água serve além de condutora de frio ou calor neste processo, mais também são utilizados suas propriedades, efeitos físicos e fisiológicos para o tratamento. Os processos hidroterápicos são preparatórios, complementares ou adjuntos aos exercícios terapêuticos e atuam tanto na superfície do corpo quanto em todo organismo. Não somente o fluxo sanguíneo e o equilíbrio de calor são afetados, mas também o metabolismo, a composição sanguínea, a secreção de várias glândulas, a psique, os sistemas nervoso, músculoesquelético, cardiorespiratório, renal e outros. Ainda oferece ao corpo a experiência de atuar em duas forças principais: gravidade para baixo e flutuação ou impulso para cima.

O principal objetivo do trabalho de hidroterapia é de proporcionara maior independência possível para a realização de suas tarefas diárias.

A temperatura da água depende da situação a ser tratada. E como o objetivo é tratar a espásticidade será mais adequada uma temperatura mais elevada de 36.7 á 37.8ºC. O calor mantido durante toda a terapia também diminui a sensibilidade da fibra nervosa rápida(tato) e a exposição prolongada diminui a sensibilidade da fibra nervosa lenta(dor).

O sangue aquecido relaxa a musculatura pela transferência de calor por condução somando ao efeito da diminuição da dor proporciona alívio ao espasmo muscular, melhora a circulação local e tende a reduzir a tonicidade dos ligamentos, tendões e musculatura vascular. Quando as articulações são mobilizadas, a amplitude de movimento aumenta mais facilmente, indicando mais vantagens para a sua utilização como meio terapêutico.

Observou-se irritabilidade, cansaço e relatos de sono por mais de 3 horas após terapia para recuperação de pacientes submetidos a tratamentos em temperaturas acima de 35ºC por mais de 20 minutos, e temperaturas abaixo de 32ºC podem provocar tensão em pacientes neurológicos.

O efeito da resistência aos movimentos da água acaba produzindo um tipo de movimento semelhante ao isocinético do corpo humano e imprime uma velocidade quase constante ao movimento, com a vantagem de lesionar menos a musculatura e as articulações envolvidas.

Os efeitos fisiológicos são semelhantes aos produzidos por qualquer outra forma de calor, porém são menos localizados. São os resultados normais do exercício executado e variam de acordo com a temperatura da água, a pressão da água, duração do tratamento e a intensidade dos exercícios.

O calor relativamente brando produz o efeito fisiológico sobre o sistema nervoso de reduzir a sensibilidade das terminações nervosas sensitivas e, à medida que os músculos são aquecidos pelo sangue que atravessa, seu tônus diminui levando ao relaxamento muscular.

Hidroterapia com piscinas Aquecida

Hidroterapia com piscinas Aquecida

No sistema músculo esquelético o calor da água aquecida reduz o espasmo muscular e as dores, promove aos músculos e articulações um aquecimento contínuo durante todo o tempo de tratamento e os músculos fadigam-se menos rapidamente, ainda se tem outras vantagens: ocorre o trabalho equilibrado dos mesmos, pois se trabalha a resistência e a força muscular; performance global trabalho de agonistas e antagonistas igualmente; ocorre o auxílio no alongamento; aumento ou manutenção da amplitude de movimento.

Efeitos Terapêuticos

No sistema motor a imersão em água aquecida tem efeitos positivos na dor , edema, espasmo muscular, articulações e marcha, já que a imersão diminui o edema, relaxa músculos e articulações, exige mínimo de esforço para pequenas contrações e/ou movimentos articulares, além de auxílio na marcha por não precisar de aparelhos ortopédicos, outros efeitos, diminuição da ação da musculatura antigravitácional, redução do tônus pela diminuição das aferências fusais, facilitação da ação da musculatura fraca e dos músculos que não vencem a gravidade, reeducação dos músculos paralisados, manutenção ou aumento dos arcos de movimento direta ou indiretamente, facilicitação do ortostatismo na marcha, facilicitação do manuseio do paciente em várias posições, melhora da flexibilidade, trabalho da coordenação motora global, da agilidade e do ritmo.

No sistema sensorial estimula o equilíbrio, a noção de esquema corporal, a propriocepção e a noção espacial, já que a água é um meio instável, levando a constante desequilíbrio e estímulos cutâneos. Facilita as reações de endireitamento e equilíbrio, pois não existe ponto de apoio e o paciente é obrigado a promover alterações posturais. É a ação da flutuação e da turbulência. Diminuição dos estímulos proprioceptivos à medida que aumenta a profundidade, reduz-se a carga de peso.

Previne as deformidades, atrofias e piora do quadro do paciente, diminui os impactos e descarga de peso sobre as articulações.

Um dos grandes valores da hidroterapia é o psicológico. Mesmo o menor dos movimentos voluntários (não possíveis fora da água) ajuda o paciente a reter a “imagem corporal” do movimento. Reforçando o moral do paciente(pois não necessita dos aparelhos ortopédicos) e a facilidade dos movimentos, proporcionando confiança para alcançar máxima independência funcional. Outras vantagens atividade realizada em ambiente relaxante, proporciona bem estar físico e moral, descontração alívio da tensão e estresse, prazer, estimula autoconfiança, promove melhor conhecimento do corpo e suas limitações e a aprendizagem de novas habilidades.

Os movimentos passivos devem ser efetuados lentamente e ritmicamente, começando com o tronco e articulações proximais, gradualmente incluindo as articulações distais. Os movimentos a principio devem a principio ser de natureza oscilatória e a seguir rotatórios. O tronco e os membros devem ser movidos em padões de movimento com inibição reflexa. O paciente de respirar profundamente e calmamente, e o momento do estendimento máximo deve coincidir com a expiração. A principal dificuldade consiste em obter uma fixação estável para ambos o paciente e o terapeuta.

Conclusão

A hidroterapia em piscina aquecida ajuda a aliviar a espasticidade, mesmo que o alivio seja apenas temporário. Porem a medida que a espasticidade diminui, movimentos passivos podem ser administrados em maior amplitude e com menor desconforto para o paciente. Deste modo a amplitude de movimento pode ser mantida ou aumentada.

escrito pos:Dan Cordeiro Machado

fonte:http://www.wgate.com.br/fisioweb/alternativas.asp

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