Esporão de Calcâneo

Publicado em 18 de fevereiro de 2015

Esporão de Calcâneo

ANATOMIA

Esporão de calcâneo

Esporão de calcâneo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como o pé se encontra sujeito a fortes impactos e apresenta mobilidade fundamentalmente no plano sagital, está fortemente sujeito a grandes mazelas. O nosso pé desempenha duas importantes funções no esqueleto.

– suporta e dissipa as forças verticais que sobre ele se exercem na seqüência da posição bípede; e

– permite as diferentes formas de locomoção, transmitindo ao solo o resultado da cadeia cinética produzida pela ação de vários músculos do tronco e membro inferior.

Estas funções implicam o apoio do pé no solo através da planta do pé. Contudo nem toda a planta contata com o solo. O apoio é feito em três pontos: atrás pela extremidade posterior do calcâneo e a frente nas cabeças do primeiro e quinto metatarsos (triângulo de sustentação). Depois temos ainda os arcos plantares. Esses arcos conferem ao pé maior flexibilidade no apoio e maior capacidade de amortecimento de impactos. A sua manutenção deve-se essencialmente a ligamentos e aponeuroses plantares.

A pronação é biomecanicamente útil, absorvendo choques no movimento do tornozelo e pé. Especificamente se refere ao movimento dobrando para dentro (natural) da mais baixa perna e tornozelo. Correndo e caminhando ocasionam na articulação do tornozelo uma pronação que ajuda o corpo absorver choques e controlar equilíbrio.

Freqüentemente uma articulação de tornozelo flexível pode pronar mais que deseja. Esta condição comum é chamada de pronação excessiva. Ela põe tensão extrema nos vários tecidos conjuntivos do pé, tornozelo e joelho. Se não corrigido, a pronação excessiva pode conduzir a dor crônica e danos.

O mau alinhamento do osso afetará os músculos, ligamentos e tendões adversamente e pode criar uma variedade de dores . Também pode causar muito movimento em segmentos do pé que deveria ser estável quando você está caminhando ou está correndo.

PATOLOGIA

Fascite Plantar

A fáscia é uma faixa apertada de tecido conjuntivo fibroso denso que prende do calcâneo à base dos dedos do pé (viga para a manutenção do arco longitudinal medial). O tendão de Aquiles também se prende no calcâneo. Se o tendão está muito tenso, há uma redistribuição ao longo da fáscia. Se seu pé aplaina ou fica instável durante tempos críticos no andar ou ciclo corrente, o arco dobra puxando a fáscia plantar. Muita tensão pode rasgá-la. Isto resultará em dor e inchaço possivelmente. Quando isso acontece próximo ao osso este pode tentar se curar produzindo osso novo. Isto resulta no desenvolvimento de um esporão de calcâneo. Sem a espora a condição é chamada de fascite plantar.

A Fascite Plantar é a inflamação na estrutura de sustentação da sola dos pés. O sintoma principal é dor ao redor da base do calcâneo e no arco, sendo normalmente pela manhã ao sair da cama. Em alguns casos pode persistir o dia todo. Seu tratamento consiste em palmilhas, eventuais modificações do treinamento, antiinflamatórios, exercícios de alongamento, ultra-som, crioterapia e repouso. Se isso falhar, após um período de 3 a 6 meses você deve considerar injeções de cortisona.

Obs.: a fáscia retém músculos e tendões na planta do pé e dedos, reduz a compressão das artérias e nervos plantares e digitais e, talvez, auxilia o retorno venoso. Nos triângulos de sustentação existe o coxim adiposo responsável pela diminuição da pressão (amortecedor elástico). Parte da fáscia profunda, inferior às estruturas plantares, são a aponeurose plantar.

Panturrilha: Gastrocnêmio e flexores plantares (também flete o joelho). Atrás fica o sóleo. Tendão de Aquiles é formado pelo tendão do gastrocnêmio e sóleo.

Esporão de Calcâneo

Esporão de Calcâneo e uma formação óssea com a forma de uma ponta (assemelha-se ao esporão do galo) que se desenvolve na parte plantar ou na tuberosidade superior do calcâneo (osso que forma a base do calcanhar). Trata-se de um processo degenerativo (ortopedistas consideram como osteófitos) que está relacionado a esforços e cargas na região do calcanhar (lei de Wolf). Ele é resultante de um estiramento que lesa a fixação perióstica da fáscia plantar ao osso do calcanhar. Geralmente estão presentes bilateralmente e são mais ou menos uniformes em seu formato. Os esporões de calcâneo nem sempre causam dor podendo ser assintomáticos por muitos anos (depende da intensidade do processo inflamatório). Com a dor, então, desenvolvendo-se subitamente, como resultado de um movimento que produz pressão oblíqua e inferior nos tecidos e nervos cutâneos na área. A dor é experimentada somente com apoio de carga ou com pressão digital no local, podendo irradiar-se para outras regiões do calcanhar e, algumas vezes, anteriormente ao pé. O raio X é o único meio certo de diagnóstico. Quanto mais rígida ou obesa for a pessoa, maior o esforço local e maior a possibilidade de surgir esta patologia além de um aumento súbito em atividades diárias, pessoas entre 40 e 60 anos ou uma mudança de sapatos.

Testes

Pé plano, pé cavo (alto), arco longitudinal medial do pé (do 1º metatarso até calcâneo), arco transverso (atrás da cabeça dos metatarsos), calos (indica peso excessivo naquela área), edema, calcâneo, fáscia plantar, reflexo de Aquiles.

Tratamento

O tratamento divide-se em clínico e cirúrgico.

Nos casos mais intensos, deve-se recorrer ao tratamento cirúrgico não só pela extirpação do esporão como o alívio das pressões nessas regiões do calcanhar. Ao entrevistarmos um ortopedista, ele nos informou que raramente é indicado porque produz uma queratose plantar que é tipo uma cicatriz e que dói muito mais que o próprio esporão. Há, também, casos de pacientes que sofreram fraturas no calcanhar após a cirurgia.

No clínico busca-se a diminuição das pressões sobre o calcanhar através de:

1. Utilização de palmilhas – É um apoio de arco de plástico firme usado em sapatos para reduzir a dor no pé e na perna. Ele controla o alcance do movimento do tornozelo e dá uma forma mais funcional, saudável para o pé. Isto traz para o pé e a perna um alinhamento e reduz a tensão do tecido causada pela pronação excessiva;

2. Colocando sapatos com salto mais elevado. Isso muda o eixo do pé, distribuindo o peso corporal e tirando da área de atrito;

3. Medicação e, nos casos mais intensos, imobilização completa por botas rígidas (plásticas ou gessadas) é de grande auxílio para a redução da inflamação e combate à dor;

4. Ultra-som (freqüência alta, vibrações que criam um calor fundo e reduzem inflamação); corrente galvânica (uma excitação muscular intermitente cuidadosamente aplicada no calcanhar e na panturrilha ajuda reduzir a dor e relaxa o espasmo do músculo que é um fator contribuinte da dor) e crioterapia;

5. Fortalecimento dos músculos do dedão do pé e do arco (coloca uma toalha no chão, enrola seu dedão do pé e puxa a toalha para você.
Este exercício também pode ser feito sem a toalha contra a resistência do chão);

6. A fita adesiva atlética pode ajudar protegendo a fáscia de referimento. Em casos severos pode permitir ao paciente andar outra vez suplementando ou substituindo a função da fáscia. A tensão na fita adesiva substitui a tensão na fáscia. As almofadas no salto (não macia) podem ajudar a impedir os danos do tendão de Aquiles ao usar a fita adesiva compensando para a perda da flexibilidade. Se a fita adesiva perder sua eficácia durante o dia esticando ou deslizando, adicione uma camada de fita adesiva a tomada afastado a folga
Lavar o pé com sabão e água é geralmente necessário para a fita adesiva. Dobrar o pé para trás ao colocar a Fita adesiva. Cuidado porque pode prejudicar o tendão de Aquiles diminuindo a flexibilidade do pé, aumentando as possibilidades da dor no tornozelo no joelho.

A fita adesiva não deve causar demasiada dor em outras áreas. Certifique-se de que a tensão está na fita adesiva e não no fundo de seu pé quando você andar. Uma camada fina de pele pode descascar ao retirar a fita adesiva, especialmente se a pele estiver úmida durante o dia. Descasque a fita adesiva lentamente e com cuidado começando na esfera do pé.

7. Alongamento da fáscia plantar (se inclina de encontro a parede se inclina pisando em um livro. coloca uma toalha ao redor do pé e alonga), do tendão de Aquiles, gastrocnêmio (Posicionar-se sob as pontas dos pés, relaxar, fazer alongamento com mãos na parede, pé permanece voltado para frente, manter joelho estendido pressionar calcanhar para baixo) e do sóleo (posicionar-se sobre a ponta dos pés, relaxar, fazer alongamento permanecendo o pé voltado para frente, joelho flexionado com calcanhar para baixo);

8. Fazer flexão plantar dorsiflexão, inversão, eversão, marcha, transferência de peso e tibial posterior (flexão dos artelhos – pressionar os artelhos contra a mão, relaxar e puxá-los para cima até sentir um enrijecimento sob o pé.).

9. Massagem; e

10. Repouso.

Osteopatia

O esporão de calcâneo é uma lateração na mobilidade da articulação subtalar que pode favorecer bastante as tensões excessivas tanto da fáscia plantar como da inserção do tríceps sural. A alteração da mobilidade subtalar vai fazendo com que o movimento ideológico do calcâneo, que acontece na inversão e eversão e auxilia os movimentos do tornozelo, fique bastante restrito e até algumas vezes eliminados por uma seqüela de entorse. Isso (falta de mobilidade) faz com que na ação da fáscia plantar do tríceps sural e dos tecidos que ali se inserem no calcâneo, ocorra unia excessiva tensão na junção do tendão com o periósteo e da fáscia com o periósteo. Com o tempo pode provocar uma alteração na formação molecular dessa junção e o organismo na tentativa de diminuir essas forças que estão atuando no calcâneo (essa força acontece pela diminuição da mobilidade do calcâneo) começa a criar uma estrutura, uma área maior, através das osteoaftoses para diminuir o atrito e a tensão. Quanto maior a área, menores são as pressões e as forças naquela região e quanto menor a área, maior é a pressão. Então como uma osteoaftose na coluna vertebral, o esporão de calcâneo também é uma tentativa do organismo de se proteger e aliviar as tensões excessivas que estão acontecendo no calcâneo.

Primeiro precisa restabelecer e restaurar a mobilidade do calcâneo descobrindo a sua causa eliminando-a ou controlando-a. O objetivo geral é devolver uma mobilidade melhor ao calcâneo. Com isso consegue diminuir as tensões e o que já foi calcificado e já cresceu de estrutura óssea não se pode reverter com os tipos de técnicas utilizadas. Deve-se criar uma forma de trabalhar os tecidos moles para que eles consigam ganhar um pouco mais de mobilidade e também de maleabilidade para que aquela calcificação que está acontecendo na junção não seja um fator que possa intervir na função depois de restabelecida a mobi1ização do calcâneo.

Tirar o valgo e varo do calcâneo, onde quer que ele esteja bloqueado, favorecendo os outros micromovimentos. Com isso as tensões excessivas do tendão e da fáscia plantar podem ser novamente equilibradas e não exercer uma tensão maior, mais em um ponto que no outro ou nos dois.

Alongar tríceps sural e a fáscia.

Usar calcanheira (diminui tensão dos músculos).

Cuidado (fascite tendinite e tendinose).

Predisposição: Pessoas que não tem cuidado com calçados que não tenha uma adaptação muito boa com a formação estrutural e funcional do seu pé. O ideal é fazer um exame plantigráfico para saber qual tipo de pisada você tem e avaliação global para saber se alguma estrutura superior está alterando a sua forma de pisar. Se tem alteração postural, pode favorecer um esporão.

Esporão De Calcâneo na Terapia Corporal

É uma formação óssea no calcâneo que surge por uma ação constante em uma área de atrito. Pode ser pela presença de alguma substância como a de ácido úrico, pois pessoas que tem a taxa dele aumentada no sangue tem a probabilidade de ter esporão de calcâneo, porém isso não é comprovável para algumas pessoas. Supõe-se que se dá devido ao mau uso do corpo e da marcha. Segundo Nereida Vilela, que pesquisa há 15 anos sobre o corpo, diz que o calcanhar fala do passado, o médio pé do presente e o ante-pé fala do futuro. Também tem haver com o rim. O rim fala de energia ancestral. E na leitura corporal o esporão fala de algum tipo de partilha de bens e herança da família que não foi justa, pois o calcanhar vibra o passado. Pode se dizer que algo não vai bem em relação à família e herança (pesquisa de leitura corporal). De certa forma nesse sentido, o esporão pode ser hereditário por estar carregado de geração para geração algo mal resolvido com sua ancestralidade.

O esporão acontece de várias formas como:

1. Peso aumentado;

2. Pessoas que exigem mais a articulação talocalcaneana (gera mais desconforto na articulação) como no próprio calcâneo e por isso resulta na maior exposição dele.

As palmilhas são utilizadas porque um corpo que não está adequado em condições necessárias para aquelas articulações envolvida no processo. É uma forma do corpo responder a uma agressão. Muitas das vezes não adianta cirurgia porque a resposta do osso a uma agressão é uma forma cada vez mais dele confirmar outra agressão pela neoformação óssea. O melhor tratamento é:

1. Se a pessoa tem peso excessivo, precisa perder peso (noção de corpo diferenciada, modificada);

2. Reorganizar o trabalho corporal (de como ela percebe o corpo);

3. O sapato tem que ser largo e a meia maior, proporcionando maior conforto ao paciente.

Quem leva o peso mais para o calcanhar, que batendo o calcâneo mais no chão, que pratica atividades esportivas de vida diária sem calçado adequado, sabendo que tem o peso mais elevado, serão mais suscetíveis a ter esporão.
Sabemos que o pé é dividido em futuro, passado e presente, e essa adequação entre futuro e passado está no presente.

**Este artigo encontra-se publicado no site FisioWeb WGate – Referência em Fisioterapia na Internet – www.fisioweb.com.br

fonte: http://www.wgate.com.br/fisioweb/traumato.asp

Deixe uma resposta

Translate »