Ergonomia: Intervenção Fisioterapêutica Preventiva

Publicado em 4 de março de 2015

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PREVENTIVA…

Ergonomia: Intervenção Fisioterapêutica Preventiva

Ergonomia: Intervenção Fisioterapêutica Preventiva

Ergonomia: Intervenção Fisioterapêutica Preventiva

Isso permite a projeção de ambientes seguros, saudáveis, confortáveis e eficientes. Neste trabalho realizou-se análise de um indivíduo em seu posto de trabalho, tendo como objetivo identificar os fatores de risco ergonômicos e propor medidas para diminuí-los ou eliminá-los. O indivíduo analisado trabalha como pesquisador, tendo o microscópio como principal instrumento para realizar sua função. A análise foi realizada através de questionário; check-list; medidas antropométricas e da mobília.

O resultado da análise demonstra a realização de tarefas invariáveis com ciclo repetitivo e pausas inadequadas, má organização e configuração do posto de trabalho, falta de educação e treinamento em segurança e saúde ocupacional.

A identificação e a correção dos fatores que perpetuam e desencadeiam os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são fundamentais para a elaboração de uma proposta ergonômica eficaz, minimizando custos ergonômicos e cargas cognitiva, psíquica e física do trabalhador, otimizando o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade.

A ergonomia possui caráter interdisciplinar envolvendo conhecimentos de várias áreas científicas dos quais se utiliza para adaptar o posto de trabalho e ambiente às características e necessidades do trabalhador. Para tanto, estuda vários aspectos, tais como: postura, movimentos corporais, fatores ambientais, informação (captadas pelos sentidos), cargos e tarefas. A conjugação adequada desses fatores permite projetar ambientes seguros, saudáveis, confortáveis e eficientes, tanto no trabalho quanto na vida cotidiana [1].

Alguns conhecimentos em ergonomia foram convertidos em normas oficiais. No Brasil, há a Norma Regulamentadora NR17 – Ergonomia, Portaria Nº 3.214, de 8/6/1978 do Ministério do Trabalho, modificada pela Portaria Nº 3.751 de 23/11/1990 do Ministério do Trabalho [2].

É necessário lembrarmos de que a prática de promoção de saúde e a prevenção de doenças vêm ganhando grande popularidade impulsionadas pelo interesse crescente na qualidade de vida das pessoas, pela importância da minimização do sofrimento, da morbidade e mortalidade provocadas por doenças e acidentes, e, também, pela necessidade previamente de controle e redução dos gastos com assistência médica, tanto em nível do setor público quanto privado de atenção à saúde [3]. Em todo o mundo, a incidência de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), vem crescendo nas últimas décadas. Apesar da reconhecida subnotificação das doenças do trabalho, os DORT vêm apresentando um crescimento progressivo nas estatísticas oficiais e dos Serviços de Saúde dos trabalhadores, a partir de 1987 [3]. Assim, refletindo em tudo que a ergonomia oferece à antropologia do trabalho, neste trabalho realizou-se análise de um indivíduo em seu posto de trabalho, tendo como objetivo identificar os fatores de risco ergonômicos e propor medidas para diminuí-los ou eliminá-los. Metodologia O indivíduo analisado, possui 21 anos de idade, do sexo feminino, trabalha há 02 anos no Laboratório de Farmacologia e Experimentação Animal do IP&D (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) localizado na Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, em São José dos Campos, São Paulo.

A análise foi realizada “in loco” incluindo questionário, check-list, medidas da mobília e antropométricas.

O questionário constou de questões de caracterização pessoal (incluindo situações da vida cotidiana), organização do trabalho, além das alterações (posturas, desconfortos, etc).

O check-list foi respondido pelo supervisor e pela nossa participante e possibilitou que fossem analisados aspectos como: organização e planejamento do sistema de trabalho (exemplo: tarefas variadas e pausas), organização e configuração do posto de trabalho (exemplo: layout do posto) e educação e treinamento.

As medidas antropométricas foram baseadas na norma alemã DIN 33402 de junho de 1981 sendo que cada medida foi especificada quanto à sua localização (pontos de referência para a medida), direção em que se encontra o segmento e, a postura do indivíduo no momento da execução das medidas [4].

Resultados

Ao analisar o questionário, verificou-se que o indivíduo permanece durante o tempo todo na postura sentada (04 horas) e, que há mais de 01 ano vem apresentando desconfortos (como dores e cansaço em todo o corpo), após cada jornada de trabalho, principalmente na coluna vertebral. Para isto, recomenda-se a alternância das posturas sentada e, em pé no trabalho como alívio aos sintomas apresentados [5].

O check-list e as medidas antropométricas e da mobília, foram obtidas e analisadas, sendo identificados alguns fatores de risco: a pesquisadora possui tarefas invariáveis, com ciclo repetitivo, movimentos de pinça e de flexão e extensão do punho, principalmente com a mão esquerda, com pausas inadequadas. Qualquer ciclo de trabalho de duração menor que 30 segundos ou se em mais de 50% do tempo total do ciclo ocorrer a repetição de parte desse ciclo é considerado altamente repetitivo [6]; por isso são indicadas pausas durante a realização da tarefa e exercícios compensatórios de alongamento das estruturas relacionadas. O assento é desconfortável, muito rígido e não é proporcional (32,2cm de diâmetro) à largura do quadril (37cm) e também não acomoda dois terços do comprimento entre nádega e fossa poplítea (56,5cm); um estofamento pouco espesso colocado sobre uma base rígida, que não afunde com o peso do corpo, ajuda a distribuir a pressão e proporcionar maior estabilidade do corpo, contribuindo para redução do desconforto e da fadiga [4]. Não houve qualquer reclamação acerca do ambiente físico (ruído, temperatura, iluminação e ar), assim como para as ferramentas de trabalho (forma de preensão, adequação para o trabalho e estado de conservação). A educação e o treinamento em segurança e saúde ocupacional não foram oferecidos, sendo considerados também como fatores de risco. A altura do banco (67,5cm) é maior que a altura da fossa poplítea (50cm), ficando os pés sem apoio, o que é extremamente fatigante [2]; pode-se então, colocar um apoio sobre os pés. A diferença entre a distância entre a ocular do microscópio e a mesa (41cm) e a distância entre a mesa e os olhos (50 cm), exige 60 graus de flexão do pescoço ao usar o microscópio. A flexão do pescoço até um ângulo de 15 graus é aceitável para a prevenção da fadiga muscular [7]; com a elevação da altura do microscópio, através de uma base estável abaixo do mesmo, há um aumento da altura do campo de trabalho para observação visual ótima, além de melhorar a postura de flexão de cabeça. Devido à vasta área de trabalho (104cm de largura e 68,5cm de profundidade), o indivíduo precisa realizar amplos movimentos com os membros superiores, além da flexão e lateralização do tronco; para evitar isso, as ferramentas, controles e peças devem ser organizadas para situar-se dentro de um envoltório tridimensional de alcance dos braços [4]. Discussão Ainda não há conhecimento pleno dos mecanismos de geração e perpetuação dos DORT, que representam um enorme custo econômico para o trabalhador, sistema de saúde e sociedade [8]. A ergonomia, é então, justificada como meio de prevenção. As empresas começam a tomar consciência da importância desta prevenção, uma vez que com esta atitude reduz-se gastos com afastamento e aposentadoria precoce. Entendendo-se a área de saúde do trabalhador como um campo de saúde pública situada no interior de uma relação conflituosa, em que os interesse dos principais atores sociais (empregados e empregadores) se contrapõe, torna-se evidente que o processo negocial, seja ele formal ou informal, é uma ferramenta estratégica fundamental e inevitável na busca de condições para a melhoria da saúde da população de trabalhadores. O médico do trabalho, o fisioterapeuta, a equipe multidisciplinar terão poucas possibilidades de exercer sua atividade adequadamente se não interagirem. Diante de um trabalhador que apresenta dor relacionada aos DORT, não basta apenas a prescrição de analgésicos e antiinflamatórios, imobilização do segmento acometido e instituição de programas de fisioterapia. É importante a análise e redimensionamento dos fatores que desencadearam ou perpetuaram o quadro clínico, ou seja, o estudo do ambiente de trabalho, o modo como o paciente segura sua ferramenta ou se posiciona ao utilizar seu instrumento de trabalho, posição da bancada de trabalho, monitorização dos movimentos executados sem intervalos adequados de pausa, entre outros. Estes fatores podem contribuir para a gênese e/ou perpetuação dos estresses físicos e mentais no ambiente de trabalho e consequentemente a geração e sobrecarga de lesão das estruturas comprometidas.

Conclusão

A identificação e a correção dos fatores que perpetuam e desencadeiam os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são fundamentais para a elaboração de uma proposta ergonômica eficaz, minimizando custos ergonômicos e cargas cognitiva, psíquica e física do trabalhador, otimizando o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade.

escrito por:Andréa Dellú Franco, Linara E. Pereira, Patrícia S. L. L. Martins, Mônica Groschitz, Carlos Eduardo Araújo Fortes

fonte:http://fisio.homestead.com/artigos.html

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