CICLO ALONGAMENTO-ENCURTAMENTO

Publicado em 12 de dezembro de 2014

A ATUAÇÃO DO CICLO ALONGAMENTO-ENCURTAMENTO DURANTE AÇÕES MUSCULARES PLIOMÉTRICA

Sua principal contribuição é desenvolver a capacidade de gerar potência máxima em um movimento. O objetivo desta revisão foi ditado pela necessidade de conectar o conhecimento do alicerce fisiológico do
CEF à compreensão de sua aplicação no desenvolvimento da potência muscular, entendendo a participação das variáveis intervenientes. O embasamento fisiológico pode ser encontrado em três diferentes mecanismos: a) o acúmulo de energia potencial elástica durante as ações musculares
excêntricas utilizadas sob a forma de energia cinética na fase concêntrica; b) o padrão de recrutamento das unidades motoras e; c) o reflexo miotático originado da ativação das estruturas proprioceptivas quando do estiramento. Para a manifestação ótima desses mecanismos, evidenciou-se a importância do entendimento da participação de variáveis componentes do Ciclo como a amplitude do movimento articular, velocidade de pré-extensão, carga de
alongamento, altura de queda ou arremesso, tempo de transição, flexibilidade e ação das fibras rápidas e lentas, bem como de que forma os fatores limitantes – fadiga e potencial de lesões, influenciariam os resultados desejados. Concluiu-se não haver um consenso quer quanto a ação
dos mecanismos fisiológicos, quer no tocante à contribuição das variáveis à aplicação do CEF, recomendando-se mais estudos para a correta definição do papel de cada um dos aspectos abordados.

CICLO ALONGAMENTO-ENCURTAMENTO

CICLO ALONGAMENTO-ENCURTAMENTO

Palavras-chave: Pliometria; Ciclo estende-flexiona; Saltos com contra-movimento.
1Programa de Pós-Graduação Lato-sensu em Musculação e Treinamento de Força – Universidade Gama Filho.
2 Departamento de Pós-Graduação em Educação Física – Universidade Gama Filho.
3 Departamento de Educação Física – Universidade Gama Filho.
Journal of Exercise and Sport Sciences – Vol. 1, N.o 1 – Jan./Jul., 2005

ABSTRACT
Plyometric training is based upon the stretch shortening cycle (SSC). The SSC is a physiological
mechanism that aims to enhance mechanical efficiency by maximizing the concentric phase of
the muscle movement through the storage and utilization of potential elastic energy from the
eccentric phase. Its main contribution is to develop the ability to generate the maximal power
output. The objective of this study is to understand the application of SSC on power training
from the knowledge of its theoretical framework and its interaction with the intervening variables.
The theoretical framework can be found in three mechanisms: a) the storage of potential elastic
energy during the eccentric phase and its immediate utilization as kinetics energy during the
concentric stage; b) the pattern of motor units activation; c) the potential reflex from de
proprioceptives structures. This study highlights the importance of variables such as the range
of joint movements, velocity of stretching, stretching loads, heights of drop jumping and throwing,
transition time, flexibility and action of fast, fibers or slow, fast motor units and slow twitches
concerning the proper manifestation of those mechanisms. Fatigue and injury potential are also
studied in order to find out their influence on the training is. So far there is no agreement
concerning the exact action of the physiological mechanisms and the contribution of variables
to SSC. Further studies and research are recommended to define their role.
Keywords: Plyometric; Stretch shortening cycle; Counter movement jumps.

Introdução

O ciclo alongamento-encurtamento (CAE) é um
mecanismo fisiológico que tem como função aumentar
a eficiência mecânica e, em conseqüência, o desempenho
motor de um gesto atlético. O CAE ocorre
quando as ações musculares excêntricas são seguidas
imediatamente por uma explosiva ação concêntrica
(WILK et al., 1993). Este fato resulta em uma forte
ação concêntrica, por exemplo, durante um salto em
altura, o atleta flexiona os joelhos e os quadris (ação
excêntrica dos extensores), rapidamente muda de direção
e salta (ação isométrica por ação concêntrica),
com a realização de uma flexão plantar (FLECK e
KRAEMER, 1999). O CAE é regulada, essencialmente,
pela quantidade do padrão de ativação nervosa
dos músculos envolvidos, pela quantidade de energia
elástica armazenada e pelo equilíbrio entre os fatores
nervosos facilitadores e inibidores da contração muscular
(KOMI, 1983). No cotidiano, grande parte das
atividades mais corriqueiras como correr, andar
(KOMI e BOSCO, 1978), arremessar e saltar enquadra-
se como ações do CAE (KUBO et al., 1999). Quando
as partes componentes do ciclo (fases excêntrica e
concêntrica, mediadas por rápida transição) são sistematizadas,
procurando-se caracterizar seu efeito por
meio da manipulação das variáveis intervenientes,
tem-se o tipo de treinamento muscular denominado
pliométrico.
O objetivo desta revisão foi ditado pela necessidade
de conectar o conhecimento do alicerce fisiológico
do CAE, e a compreensão de sua aplicação no desenvolvimento
da potência muscular, entendendo a participação
das variáveis intervenientes. O embasamento
fisiológico pode ser encontrado em três diferentes
mecanismos: a) o acúmulo de energia potencial elástica
durante as ações musculares excêntricas utilizadas
sob a forma de energia cinética na fase concêntrica;
b) o padrão de recrutamento das unidades motoras
e; c) o reflexo miotático originado da ativação das
estruturas proprioceptivas quando do estiramento.

Bases Fisiológicas do CAE

Os modelos mecânicos para o estudo da função
do CAE subdividem-se em: contrátil, elásticos em série
e em paralelo. Os componentes elásticos em série
(pontes cruzadas e os tendões) são aqueles pertinentes
à apreciação da geração de energia elástica presentes
no CAE (BOSCO et al., 1982). Segundo
FARLEY (1997), durante a ação muscular excêntrica
produz-se um trabalho negativo, o qual tem parte da
sua energia mecânica absorvida e armazenada sob a
forma de energia potencial elástica nos elementos elásticos
em série. Quando ocorre a passagem da fase excêntrica
para a concêntrica, os músculos podem utilizar
parte desta energia rapidamente, aumentando a
geração de força na fase subseqüente, com menor gasto
metabólico e maior eficiência mecânica (KUBO et al.,
1999). Porém, se a passagem de uma fase para outra
for lenta, a energia potencial elástica será dissipada
sob forma de calor, não sendo convertida em energia
cinética (CAVAGNA, 1977; GOUBEL, 1997).
KREIGHBAUM e BARTHELS (1990) verificaram
que a capacidade de geração de força pode aumentar
em até 20% com a participação do CAE. Em relação
ao consumo de oxigênio, KOMI (1983) citou que em
duas atividades idênticas, em que uma delas utiliza o
CEF, o consumo de oxigênio será menor naquela que
utilizar o CEF.
Estudos destinados a quantificar a contribuição
da energia potencial elástica, em relação ao seu
acúmulo na melhoria do desempenho, partiram da
comparação da resposta motora observado em diferentes
técnicas de execução de salto (“squat jump”,
“counter movement jump”, “drop jump” e saltitamentos).
A análise dos arremessos supinos, desenvolvimentos
supinos e arremessos de “medicine ball”, também foram
mensurados. Os arremessos supinos diferem do
desenvolvimento supino comumente praticado, pois,
normalmente são executados com barra guiada (derivando
força, trabalho e potência durante o lançamento),
por questões de segurança, e sua técnica se beneficia
dos efeitos do CAE.
Para a realização da primeira técnica, chamada
de squat jump (SJ) ou salto agachado, o executante
parte de uma posição estática de meio-agachamento,
flexão dos joelhos a 90°, mãos na cintura, pés paralelos,
não se permitindo novo abaixamento do centro
de gravidade (CG) sendo, o movimento somente ascendente.
Assim, a energia potencial elástica acumulada
é perdida sob forma de calor devido à manutenção
da posição estática inicial, e o salto é realizado
somente por uma ação concêntrica da musculatura
agonista sem a utilização do CEF (GOUBEL, 1997;
KOMI e BOSCO, 1978).
No “counter movement jump”(CMJ) ou salto
contramovimento é permitido ao sujeito efetuar a fase
excêntrica, em que o indivíduo executa o mais rápido
possível a transição para a fase concêntrica. Durante
a ação explosiva, verifica-se o maior benefício do CAE,
utilizando alta geração de força, conseqüentemente,
com ocorre à elevação do CG e aumento da eficiência
mecânica.
No “drop jump” (DJ) ou salto em profundidade, o
executante salta de uma plataforma. Durante esta fase
passa-se por uma rápida transição, e entra em contato
com o solo para lançar-se explosivamente em um
salto vertical, tentando fazê-lo com potência máxima.
Os multi-saltos, como nome define a técnica, apresentam-
se sob duas formas básicas: os saltos horizontais
e verticais, utilizando-se ou não sobrecargas (coletes
ou cintos lastrados e corda de 1,36 kg)
(BLATTNER e NOBLE, 1979) com uma ou ambas
as pernas. Na execução dos saltos horizontais e verticais
é importante ter cuidado no estabelecimento de
um tempo ótimo para a transição, pois se muito curto
não colherá a correta ativação dos grupos musculares
envolvidos e, se longo, dissipar-se-á a energia elástica.
As evidências científicas dos ganhos do trabalho
pliométrico estão evidenciadas em várias pesquisas,
contudo sem apresentar consenso em alguns resultados.
AURA e KOMI (1986) avaliaram os efeitos da
intensidade do pré-alongamento sobre a eficiência
mecânica do trabalho positivo (fase concêntrica) e
sobre o comportamento dos músculos esqueléticos nos
exercícios do CAE. Foram utilizadas amostras de 25
indivíduos jovens, do sexo masculino, investigados em
92 diferentes situações de intensidade de contrações
excêntricas. Os resultados confirmaram suposição
prévia que a elasticidade muscular pura tem importante
papel na potencialização do desempenho em
exercícios do CAE, pelo acúmulo de energia potencial
elástica.
A análise da atividade mioelétrica dos músculos
extensores das pernas mostrou que o sistema nervoso
contribui eficazmente na regulação da tensão (stiffness)
muscular e, portanto na utilização da elasticidade
muscular em exercícios balísticos. “Stiffness,” termo
adotado mais comumente, foi definido por GANS
(1982) como sendo a resistência oposta, pelo complexo
músculo-tendão, à deformação devido a um
alongamento rápido. HUIJING (1992) e COOK e
MCDONAGH (1996) o definiram matematicamente
“stiffness” como sendo a variação da força sobre a
variação do comprimento da estrutura tendinosa (Df/
Dc) podendo quantificar o “stiffness” em valores numéricos.
Tem-se então, que o grau de “stiffness” da estrutura
músculo-tendinosa e o acúmulo de energia
elástica estão ligados em razão direta.
NEWTON et al. (1999) observaram dois grupos
de jogadores de elite de voleibol. O grupo experimental
executou um treinamento balístico (SJ) e o outro
grupo realizando apenas agachamentos e leg press.
Testados em salto vertical os resultados apontaram
que o treinamento balístico foi superior. Importante
notar que, embora balístico, o CAE não foi utilizado.
Comparação entre a eficiência mecânica de trabalhos
puramente concêntricos ou excêntricos e o CAE
efetuados em um grupo de 20 mulheres, foi realizado
por KYRULAINEN et al. (1990) que concluiu no trabalho
negativo puro, o aumento da velocidade de alongamento
correspondeu ao aumento da eficiência mecânica;
na fase concêntrica do CAE a atividade
eletromiográfica dos músculos estudados (vastos lateral
e medial) foi menor que na ação concêntrica pura,
quando o trabalho mecânico era o mesmo. Durante o
trabalho excêntrico puro a eletromiografia integrada
foi menor em comparação com a fase excêntrica do
exercício com o uso do CAE, contrapondo-se ao observado
por KOMI (1983) que mencionou em sua
literatura maior atividade eletromiografica do movimento
excêntrico puro.
As características eletromiográficas e de produção
de força dos músculos extensores das pernas em
levantadores de peso de elite foram verificadas por
HAKKINEN et al. (1986) em exercícios isométricos,
concêntricos e várias formas de CAE. Os dados colhidos
mostraram que a utilização da energia elástica
armazenada era observável nos CMJ executados com
diversas cargas.
As maiores alturas alcançadas no salto vertical com
o CMJ, em comparação com os respectivos SJ, aconteceram
em todas as cargas examinadas de 0 a 180
Kg, entre as fases concêntricas, em desacordo com o
concluído por KYRULAINEN et al. (1990).
Pesquisa in vivo, para apurar a comportamento elástico
do complexo músculo-tendão, levada a efeito por
FUKASHIRO et al. (1995) comparou saltos verticais
máximos nas posições de SJ, CMJ e saltitamentos
submáximos utilizando-se alturas de 33 cm para o SJ,
40 cm para o CMJ e 7 cm para os saltitamentos. As
porcentagens de energia elástica armazenada no tendão
de Aquiles foram de 23%, 17% e 34% respectivamente,
do trabalho total da musculatura agonista da
flexão plantar, evidenciando melhor desempenho
motor nos exercícios de CAE. Os mesmos exercícios
foram utilizados por FUKASHIRO e KOMI (1987)
com o objetivo de examinar o momento das articulações
e a potência mecânica nos membros inferiores.
Observaram que as execuções dos movimentos das
articulações envolvidas eram maiores nos CMJ que
nos SJ, porém, em ambos os movimentos, sempre
apareceram escalonados na mesma ordem quadris,
joelhos e tornozelos. O trabalho mecânico dos
extensores do quadril era muito maior que no SJ embora
o trabalho dos extensores do joelho e dos flexores
plantares do tornozelo fosse quase sempre o mesmo.
Parece, dessa forma, que o diferente desempenho entre
o SJ e CMJ deve resultar da ação dos extensores
do quadril mais que do efeito da energia potencial
elástica. A execução de SJ e CMJ caracterizou-se por
maior momento nos flexores plantares, posto que isso
ocorreu em função da utilização de diferentes técnicas
de movimento. O resultado sugere que a elasticidade
muscular pode desempenhar maior papel no
saltitamento que no CMJ. Depreende-se, também, que
cada tipo de movimento estudado é influenciado por
princípios de especificidade das ações musculares.
Há uma ampla evidência que o pré-alongamento
de um músculo aumenta o desempenho da contração
concêntrica subseqüente (CRONIN et al., 2001), aspecto
fartamente corroborado pelas apreciações precedentes.
Contudo, não se pode atribuir melhoria do
desempenho motor somente à energia potencial elástica
assim gerada. Há, ainda, que se considerar como
prováveis participantes do processo, o padrão de ativação
das unidades motoras e o reflexo miotático.
O primeiro é visto à luz da lei de Henneman ou
Princípio do Tamanho dos Motoneurônios, verificando-
se que num movimento balístico entre 0 e 15 segundos
provém de unidades motoras maiores ativadas
no início da ação fazendo, pois com que o grau de
desenvolvimento de força seja muito maior e mais
rápido (compulse-se a curva de força-tempo). Entretanto,
durante contrações de 5 a 15 segundos é observado
baixo recrutamento de unidades motoras, e
apresentando aumentos de acordo com a intensidade
elevada (DESMEDT e GODAUX, 1977). Autores
como BOBBERT et al. (1996) e VAN INGEN
SCHENAU et al. (1997) vêm apontando o grau de
produção de força como fator mais importante para
aumentar o desempenho no salto vertical, pois ele
maximiza a velocidade no instante da decolagem.
O reflexo miotático ou reflexo de estiramento baseia-
se na ação das duas estruturas proprioceptivas
auxiliares no controle do movimento: os fusos musculares
e os órgãos tendinosos de Golgi (OTG). A primeira,
fusos musculares consistem em uma cápsula
de tecido conectivo com cerca de 1mm de comprimento,
seis ou mais fibras musculares intrafusais e
algumas terminações nervosas motoras e sensitivas
especializadas. Eles localizam-se paralelamente entre
às fibras musculares intrafusais de todo o músculo.
As extremidades da cápsula se estendem para dentro
e se fundem com o tecido conectivo de todo o músculo
(ALBERTS et al., 1997). O ponto importante é
que os fusos situam-se “em paralelo” com o músculo,
em contraste com o arranjo “em série” dos órgãos
tendíneos de Golgi, e são responsáveis pelo
monitoramento do grau de alongamento e estiramento
do músculo no qual está inserida e – quando alcançado
determinado limiar – provoca ação muscular reflexa,
concêntrica ou isométrica, como forma de proteção
da estrutura a um alongamento excessivo e rápido,
com conseqüente dano (ISSURIN et al., 1994;
MAGNUSSON et al., 1996). A segunda, OTG, localizada
nos tendões, destinam-se a regular seu nível de
tensão e suas respostas reflexas, causam o relaxamento
das estruturas às quais estão ligados ou, ainda determinam
a ativação da musculatura antagonista. O
OTG é conectado em séries com até 25 fibras
extrafusais. Esses receptores sensoriais também estão
localizados nos ligamentos das articulações e são responsáveis
principalmente pela identificação de diferenças
na tensão muscular, mais que no comprimento
do músculo (MAGNUSSON et al., 1996). O OTG
responde como um monitor de retroalimentação emitindo
impulsos sob uma de suas condições: em resposta
à tensão criada no músculo quando o mesmo
se encurta e em resposta à tensão quando o músculo
é distendido passivamente (ALBERTS et al., 1997;
ISSURIN et al, 1994). Quando estimulados por tensão
ou distensão excessiva, os receptores de Golgi conduzem
seus sinais rapidamente, a fim de desencadear
uma inibição reflexa dos músculos por eles inervados.
Isso ocorre por causa da influência predominante do
inter-neurônio medular inibitório sobe os
motoneurônios que inervam o músculo. Assim sendo,
o órgão tendinoso de Golgi funciona como um
mecanismo sensorial protetor. É possível que as influências
inibitórias dos OTG (relaxamento das estruturas)
possam ser gradualmente reduzidas em resposta
ao treinamento de força. Isto permitiria que o indivíduo
produzisse uma maior quantidade de força muscular
e, em muitos casos melhorasse o desempenho,
propiciando um melhor aproveitamento da ação dos
fusos musculares.
A ação do reflexo de estiramento, conforme citação
de KOMI e GOLLHOFER (1997) pode aumentar
o grau de tensão (stiffness) da estrutura músculo
tendinosa e fazer com que haja um aumento tanto de
força gerada quanto de seu grau de desenvolvimento.
BOSCO et al. (1982) afirmaram que o alongamento
de um músculo antes do encurtamento aumentava
seu desempenho durante a contração concêntrica,
sendo o fenômeno interpretado como devido à utilização
da energia elástica acumulada nos elementos
elásticos em série, principalmente. As pesquisas,
objetivando levantar os efeitos da energia elástica e
da potenciação mioelétrica do tríceps sural durante
exercícios de CAE, concluíram que, em todos os indivíduos,
a atividade eletromiográfica dos flexores plantares
foi potencializada durante a fase concêntrica do
CMJ, em comparação com o SJ.
Em estudo destinado a observar o aumento da
resposta mecânica dos músculos esqueléticos mediante
pré-alongamento, BOSCO e KOMI (1979) sugeriram
que o aumento do desempenho nessas condições
é atribuído, também, aos efeitos combinados
da utilização da energia elástica armazenada e da
potencialização reflexa da ativação muscular.
FLECK e KRAEMER (1999) verificaram ainda que
o recrutamento reflexo de unidades motoras adicionais
ou uma velocidade de descarga aumentada das
unidades motoras já recrutadas pode resultar em força
aumentada, como atuação do ciclo estende-flexiona.
Entretanto, segundo THOMPSON e CHAPMAN
(1988), a atividade mioelétrica não muda significativamente
em músculo que desempenha uma ação
isométrica e, em seguida, é encurtado. Isso indica que
atividade reflexa não é responsável pelo aumento de
força causado por um ciclo estende-flexiona. É evidente
que algum tipo de potencialização de força é
causado por esse ciclo. O mecanismo responsável, no
entanto, não está explicado (FLECK e KRAEMER,
1999).

Variáveis intervenientes no ciclo estende-Flexiona

Compreende-se com as pesquisas estudadas, que
o aproveitamento da energia potencial elástica, acumulada
na fase excêntrica, transformando-se durante
a ação concêntrica, em energia cinética, a adequada
manifestação do reflexo miotático e o recrutamento
do tipo balístico das unidades motoras, prováveis fatores
componentes do CAE, interrelacionam-se a determinadas
condicionantes ou variáveis
intervenientes. Dessas merecem especial atenção à
amplitude do deslocamento articular, o tempo de transição
entre as fases, velocidade e força da pré-extensão,
as cargas de alongamento, a altura de queda ou
arremesso, as condições de flexibilidade da musculatura
e os tipos de fibras musculares solicitadas.
A influência da amplitude do pré-alongamento
sobre a eficiência mecânica foi testada por BOSCO et
al. (1982) em cinco indivíduos, executando cinco diferentes
séries de saltos verticais os quais diferiam
entre si pela ação da articulação dos joelhos na fase
excêntrica. Os resultados indicaram que a mais alta
eficiência (38,7%) foi alcançada quando a amplitude
de flexão do joelho, na fase excêntrica, apresentava
menor amplitude. Nos movimentos de maior amplitude,
a eficiência correspondente foi de 30,1%. Os
saltos de pequena amplitude tinham menores tempos
de transição entre as fases altas médias da força
excêntrica e alta velocidade de pré-alongamento. Os
resultados sugeriram que a restituição da energia elástica,
relacionada à mudança no comprimento e tensão
dos músculos durante o alongamento, desempenha
importante papel na regulação da eficiência mecânica.
Apreciação mais completa da interação das variáveis
foi oferecida por BOSCO e KOMI (1981). Observaram
que a associação das condições de antes e
durante a transição do pré-alongamento para o encurtamento
deveria ter considerável influência no
desempenho final do músculo. Compararam o desempenho
dos saltos verticais usando as técnicas de
CMJ e SJ. Nos saltos com contramovimento focou a
avaliação na amplitude da flexão dos joelhos, velocidade
de pré-alongamento e força alcançada ao final
da pré-extensão. Os resultados obtidos da comparação
CMJ e SJ, indicaram que o CMJ aumentou as
médias da força na fase concêntrica e a potência. Este
efeito de potencialização era tão mais pronunciado
quanto maior fosse à força ao fim do pré-alongamento.
Analogamente, a velocidade da pré-extensão e a
transição rápida (média de 23ms) foram associadas
ao aumento do desempenho durante a fase concêntrica.
BOSCO e KOMI (1981) concluíram que as
mudanças nas condições de pré-alongamento podem
modificar a formação das pontes cruzadas, de modo
que o armazenamento e utilização da energia elástica
associam-se a alta velocidade de pré-extensão, a alta
força excêntrica e ao curto tempo de transição.
KOMI e GOLLHOFER (1997) afirmaram que
somente em movimentos nos quais a quantidade de
pré-estiramento é pequena (alongamento do complexo
músculo-tendão da ordem de 6 a 8%, ou seja, movimento
com pequena amplitude) o reflexo de
estiramento pode ser utilizado. Essa afirmativa é referendada
pelo estudo da curva de comprimento-tensão.
Ela indica que algum estiramento do músculo,
anteriormente ao início de uma ação, aumentará a
quantidade de força produzida, porém um excesso de
estiramento diminuirá o total de força produzida
(FLECK e KRAEMER, 1999).
Para avaliar o efeito sobre desempenho, pela
interposição de uma pausa durante a execução, WILSON
et al. (1991) observaram levantadores de peso
executando exercícios supinos com 95% de 1RM em
3 diferentes protocolos: o primeiro grupo realizava o
trabalho de forma contínua, sem retardo entre o levantamento
e abaixamento de carga; o segundo fazendo
só a fase concêntrica e o último movimentando
a barra com vários períodos de pausa entre fases.
Os resultados demonstraram que o ganho no desempenho,
derivado da pré-extensão, decaía na razão direta
da duração da pausa.
A definição da altura de queda, de fundamental
importância para o salto em profundidade ou drop
jump (DJ), não tem encontrado consenso entre os
autores. Já foi estabelecido que saltos em profundidade
de altura maior que 110 cm são contraproducentes,
porque a mudança da ação excêntrica para a concêntrica
acontece muito lentamente
(VERHOSHANSKI, 1967). KOMI e BOSCO (1978)
avaliaram que a altura de queda influenciou o desempenho
motor de modo que as elevações alcançadas
pelo CG aumentaram na razão direta da altura de
queda, dentro dos índices de 26 a 62 cm para os homens
e 20 a 50 cm para as mulheres. Pesquisa
abrangente sobre o papel das variáveis intervenientes
– com objetivo específico de determinar a altura ótima
de queda (DJ) no treinamento pliométrico – foi
desenvolvida por LEES e FAHMI (1994) Trinta homens
executaram saltos das alturas 12, 24, 36, 46, 58
e 68 cm com resultados medidos na plataforma de
força Kistler, observando-se o deslocamento negativo
do CG, a altura de elevação do CG, a máxima força
vertical, a máxima velocidade vertical e o pico instantâneo
de potência. Os resultados mostraram que a
melhor performance, em todos os parâmetros, ocorreu
na altura de salto de 12 cm, diferindo dos resultados
dos estudos semelhantes relatados na literatura (
KOMI e BOSCO, 1978; ASMUSSEM e BONDEPETERSEN,
1974). Em outro estudo, porém, não
utilizando a mesma metodologia de LEES e FAHMI
(1994), os pesquisadores não concluiram nenhuma
mudança significativa no salto em altura utilizando
treinamentos a partir de 50 ou de 80 cm, durante 8
semanas (BARTHOLOMEW, 1985). CLUTCH et al
(1983), também reportaram que após 16 semanas de
execução de um programa de treinamento de força
idêntico, com e sem treinamento de salto em profundidade,
a partir de 75 ou 110 cm. Concluíram nenhuma
diferença importante foi demonstrada no aumento
de capacidade do salto em altura, em 1 RM de
agachamento ou na força de extensão isométrica do
joelho.
KOMI e BOSCO (1978) verificaram haver relação
direta entre a capacidade de armazenamento e
utilização da energia elástica e as cargas de alongamento,
comparando saltos verticais desenvolvidos com
diversas técnicas (SJ, CMJ e DJ). A utilização de pesos
adicionais, como o colete ou cinto com pesos de
até 12% do peso corporal, nos exercícios do ciclo estende-
flexiona, também resultará em aumento da capacidade
no salto em altura. Relatam-se aumentos de
5,2 e 8,1 cm em indivíduos não treinados, após 6 e 8
semanas de treinamento (POLHEMUS et al., 1981;
BLATTNER e NOBLE, 1979); todavia, também foi
demonstrada diminuição da capacidade no salto em
altura, de 2,6 cm, em atletas treinados (BOSCO e
PITTERA, 1982). Outro implemento, a corda pesada
de 1,36 Kg, aumentou a capacidade no salto em altura
e a produção de potência em pique máximo de 30
s na bicicleta ergométrica, mas não, de diminuir o
tempo na corrida de 50 jd (MASTERSON e BROWN,
1993). Os poucos estudos existentes não permitem
estabelecer conclusões definitivas com relação ao valor
desses tipos de treinamento.
A influência da flexibilidade sobre o ciclo estendeflexiona
foi pesquisada por meio da utilização de
dezesseis experientes levantadores de peso, observando-
se seus efeitos na tensão (“stiffness”) dos elementos
elásticos em série na musculatura superior do corpo,
e no desempenho de desenvolvimentos supinos
contínuos ou somente concêntricos. O treinamento
de flexibilidade induziu à significativa redução do
desempenho máximo dos elementos elásticos em série,
aumentando o desempenho nos desenvolvimentos
supinos contínuos pela utilização da energia potencial
elástica durante o levantamento (WILSON et
al., 1992).
A capacidade de armazenamento e utilização da
energia elástica na musculatura dos tipos lento e rápido
foi verificada em saltos verticais, com e sem
contramovimento, e com pequenos e amplos deslocamentos
angulares dos joelhos. Os resultados indicaram
que os indivíduos que possuíam maior quantidade
de fibras rápidas obtiveram mais benefícios na fase
de alongamento, executada com alta velocidade e pequenos
deslocamentos angulares. A utilização de energia
elástica era proporcional à quantidade de energia
armazenada qualquer que fosse o tipo de fibra. Nos
saltos de maior amplitude, no qual o tempo de transição
entre extensão e encurtamento era maior, as fibras
lentas e rápidas apresentaram quantidades semelhantes
de acúmulo de energia elástica. A
reutilização desta energia, todavia, foi maior nos indivíduos
com mais fibras lentas (24%) que naqueles
com mais fibras rápidas (17%). Os resultados podem
ser interpretados pelas diferenças do tempo de ativação
das pontes cruzadas entre os tipos de fibra. As do
tipo lento são capazes de reter a ativação das pontes
cruzadas por um maior período de tempo e, portanto,
podem utilizar a energia elástica melhor em um
movimento balístico lento (BOSCO et al., 1982).
Exercícios de ciclo estende-flexiona podem ser realizados
tanto para a parte inferior do corpo como
para a superior, porém constata-se que a maioria dos
experimentos está voltada para os membros inferiores
(NEWTON et al., 1997), para os quais a literatura
dedica sua prioridade, gerando uma lacuna sensível.
A exercitação dos membros superiores carece de
cuidados adicionais de segurança (auxiliares) e, por
vezes, equipamentos especializados como os trenós
(sledges) e barras guiadas. Do repertório específico
constam: arremessos supinos com barras livres ou
guiadas; trabalhos analíticos na polia; flexões de braço
com apoio de frente, empregando a repulsão no
solo e arremessos do medicine ball, dentre outros. Com
relação a este último, estudos foram concluídos com
a apresentação de uma fórmula de determinação de
força de impacto em função da altura alcançada pelo
implemento e sua massa.
Como conclusão sobre ciclo estende-flexiona pode
ser dito que o seu comportamento está relacionado
aos parâmetros observados na especificidade das ações
musculares, ou seja, padrões do movimento, ângulo
articular, tipo e velocidade da contração, número de
articulações envolvidas e tipo de resistência, evidenciando
um íntimo vínculo entre eles. Parece que a dificuldade
em se estabelecer padrões comportamentais
para as variáveis é tarefa tão complexa quanto definir
de quantas formas tais variáveis podem interagir e
quais seriam esses resultados.

Limitações à prática do CAE

Conquanto o treinamento pliométrico aponte para
efetivos benefícios no desempenho motor, refletidos
diretamente no desenvolvimento da potência, há que
se atentar para dois aspectos, alvo de atenção de treinadores
e executantes, como possíveis limitadores de
sua prática: a fadiga e o potencial de lesões.
Deduz-se do estudo das variáveis intervenientes e
do próprio conceito do CAE que, na eventualidade
de uma manifestação não-ótima ou inadequada dos
fatores condicionantes, a potenciação do movimento
não existirá ou não terá sua melhor expressão.
Não sendo objetivo deste trabalho
aprofundamento sobre a base teórica do mecanismo
da fadiga no CAE, declina-se apenas alguns estudos
sobre suas manifestações, principais causas e conseqüências.
A fadiga é um fenômeno extremamente complexo,
e pode ser descrita como a perda da capacidade
de gerar força ou incapacidade de se manter o exercício
em um nível adequado (STROJNIK e KOMI,
1998). Normalmente se caracteriza pelos aumentos
nos tempos de contacto nas fases excêntrica e concêntrica
do ciclo, sendo mais pronunciada na concêntrica,
verificando-se então drástica redução de transferência
de energia entre as fases (GOLLHOFER et
al., 1987).
A importância de sua percepção é vista na pesquisa
de KOMI (2000), comparando a função muscular
em condições normais e em fadiga, concluindo que a
magnitude do componente reflexo no estiramento
varia de acordo com o aumento da carga de alongamento,
mas, também, com o nível de fadiga. Enquanto
a fadiga, devido a um ciclo moderado, resulta em
leve potenciação, um ciclo exaustivo (em intensidade
e volume) pode reduzir a mesma contribuição reflexa
de modo significativo, levando os problemas funcionais
e a danos musculares (NICOL et al., 1996). É
observado que a fadiga neuromuscular após exercícios
de CAE, utilizando saltos em sledge, a 60% da altura
máxima, verifica-se que houve aumentos de lactato
(de 1,8 ± 0,6 mmol/l para 6,1 ± 1,7 mmol/l) e
creatina-quinase sérica (de 248 ±142 IU/l para 584
± 344 IU/l). A conclusão foi que, após um trabalho
submáximo no ciclo, ocorreu fadiga provavelmente
causada por diminuição na liberação de Ca2+ em cada
potencial de ação (STROJNIK e KOMI, 2000). Investigação
de STROJNIK e KOMI (1998) sobre a fadiga
neuromuscular após exercitação máxima em CAE,
concluiu que seguidos saltos máximos, de curta duração
em equipamento sledge, induziu à potenciação do
mecanismo contrátil. Também caracterizado pela redução
do Ca2+ e pela aceleração da ação das pontes
cruzadas (contrações mais rápidas), bem como a uma
redução do potencial de ação de alta freqüência que
poderia ser a razão principal para a ocorrência da fadiga.
A relação entre a cessação aguda e tardia da função
reflexa de alongamento no CAE, demonstrou que
há deterioração da função muscular imediatamente
depois de instalado o mecanismo da fadiga. É observando
também, aumentos nos marcadores indiretos
do dano (atividade da creatina-quinase sérica e
troponina), sugerindo que a redução da sensibilidade
reflexa é de origem reflexa e devida a dois mecanismos
ativos: dificuldade e inibição pré-sináptica
(AVELA et al., 1999). No salto em profundidade, onde
a intensidade do exercício é expressiva, a exaustão
ocorreu em 3 minutos e observou-se concentração
relativamente alta de lactato (12,5 ± 2,6 mmol/l) e
aumento da atividade da creatina-quinase sérica
mantida por dois dias (HORITA et al., 1999). Essa é
uma clara indicação quanto ao intervalo a ser observado
entre sessões de CAE.
Ao lado dos componentes metabólicos
intervenientes no mecanismo da fadiga, constatou-se
correspondente deterioração na regulação do stiffness.
Este fato gerou pesquisas para estabelecer a relação
com o reflexo de estiramento, consequentemente, projetando
sua influência no desempenho muscular em
exercitação no CAE. Os resultados sugeriram que o
impulso neural para os músculos foi, ao menos parcialmente,
de origem reflexa, e a redução do stiffness
muscular que acompanha a diminuição da sensibilidade
reflexa pode ter sido responsável, em parte, pelo
enfraquecimento muscular devido ao bloqueio na utilização
da energia elástica (AVELA e KOMI, 1998).
Estudo de KUITUNEN et al. (2002) objetivando
examinar os efeitos agudo e tardio da fadiga em exaustiva
exercitação no CAE, testou 5 indivíduos no aparelho
sledge, em 100 saltos máximos contínuos, seguidos
por ininterruptos saltos submáximos, até a completa
exaustão. Os resultados mostraram que um
exaustivo ciclo induziu à aguda e prolongada redução
do stiffness, mais pronunciada nos joelhos do que nos
tornozelos. O imediato declínio do stiffness pós-exercício
foi associado tanto ao incipiente impulso neural
(fadiga central) quanto à falha concêntrica (fadiga
periférica) devido à fadiga metabólica e ao dano muscular.
No exame da influência da fadiga metabólica e do
dano muscular induzidos pelo CEF sobre a eficácia
do reflexo de estiramento foi observado que: um intenso
treinamento pliométrico conduz a uma imediata
redução na magnitude dos reflexos com recuperação
em longo prazo, mantendo uma significativa diminuição
no desempenho muscular até o segundo dia
pós-exercício; o pico da creatina-quinase apareceu para
todos os indivíduos no segundo dia, sugerindo a existência
de dano muscular; o aumento da creatinaquinase
entre a segunda hora e o segundo dia pósexercício
estava inversamente relacionado às mudanças
relativas na altura do DJ; significativa relação foi
encontrada entre a recuperação do reflexo de
estiramento do músculo estudado e a diminuição da
creatina-quinase entre o segundo e o quarto dias. Esses
achados apóiam a hipótese de uma reduzida sensibilidade
do reflexo de estiramento. Enquanto os exatos
mecanismos de inibição reflexa permanecem obscuros,
enfatiza-se que a recuperação tardia da sensibilidade
reflexa pode resultar de uma progressiva inflamação
desenvolvida em casos de dano muscular
(NICOL et al., 1996).
Profissionais e praticantes do treinamento físico
expressam sua preocupação em relação a um potencial
risco de lesão quando da prática do ciclo estendeflexiona.
Como em qualquer modalidade de treinamento,
existe um risco inerente de lesões e há relatos
concernentes. Como principais causas podem ser citadas:
a) progressão inadequada do treinamento; b)
aquecimento inadequado; c) carga de trabalho (volume
e/ou intensidade) excessiva; d) lastro insuficiente
de prévio treinamento de força; e) calçado e pisos
impróprios. Sendo uma forma de trabalho que objetiva
gerar potência máxima em um movimento – expressões
de força e velocidade – no qual estão presentes
rápidas contrações excêntricas e concêntricas e,
por vezes o impacto do peso corporal, algumas medidas
acauteladoras deverão ser observadas. Sugere-se
que qualquer indivíduo executando exercícios do CAE
deveria ser capaz de realizar agachamento com, pelo
menos 1,5 a 2 vezes o peso do corpo. Essa medida é
apenas uma sugestão, pois não há dados a apoiar esta
proposição (FLECK e KRAEMER, 1999). O peso e a
composição corporal também devem ser considerados
na prescrição de exercícios do CAE. Todos os exercícios
de saltos (salto com contramovimento, salto em
profundidade e multi-saltos) usam, no mínimo, o peso
do corpo como resistência a ser superada. Um indivíduo
com porcentagem de gordura corporal mais alta
realiza os exercícios contra resistência maior (peso do
corpo), com massa muscular relativamente menor
(massa corporal magra). É recomendado aos indivíduos
de maior peso observar volume de treinamento
(número de saltos) menor que os de indivíduos mais
leves.

CONCLUSÕES

Os resultados das pesquisas têm demonstrado a existência de outros mecanismos fisiológicos, atuando no
CAE concomitante às puras ações musculares excêntrica e concêntricas. Sabe-se que uma ação excêntrica com força e velocidade adequadas, seguida de uma rápida transição para a fase concêntrica, também em condições ótimas de intensidade, exponencia a produção de potência nesta segunda fase.
Embora haja consenso entre pesquisadores, apoiados em fortes evidências científicas, principalmente sobre
acúmulo e utilização da energia potencial elástica nos elementos elásticos em série, o acúmulo e a utilização
de energia potencial não acontece quando se trata do recrutamento reflexo de unidades motoras adicionais
registrando-se algumas discordâncias sobre sua participação no ciclo.
Quanto ao que neste artigo foi chamado de variáveis intervenientes apontam-se ao lado de resultados bem
embasados outros ainda incompletos e mesmo lacunas de pesquisa. Estudos vêm evidenciando que para ganhos ótimos de potência o treinamento deve ser executado com pequenas amplitudes de movimento articular; que a velocidade de pré-extensão deve ser compatível com o ganho esperado; que a transição, para a qual inexiste dado temporal exato, deve ser rápida o suficiente para não dissipar o potencial elástico, mas também deverá prover tempo necessário para se processar o acúmulo de energia. Por outro lado são ainda inconclusivos os estudos sobre a carga de alongamento, bastante dependente, nos saltos, da massa corporal; as alturas de queda, parâmetro fundamental para a execução dos saltos em profundidade, um dos mais importantes exercícios da pliometria, estão ainda longe de um consenso; arremessos supinos e do medicine-ball, apresentam insuficientes resultados pelo pequeno número de pesquisas e, finalmente, o quanto de participação da flexibilidade e da composição muscular, em termos de tipos de fibras, para a melhor eficiência do ciclo, não encontraram resposta definitiva.
O conhecimento das características e mecanismos de fadiga é importante para a definição de carga de
trabalho em uma sessão de treinamento, bem como para o estabelecimento do período de recuperação, visando à próxima exercitação no ciclo. Metabolicamente ela tem sido estudada, contudo ainda permanece obscuro o conhecimento dos mecanismos de inibição reflexa. O potencial de lesões apresentado como fator limitativo, pois sua ocorrência pode sustar o treinamento, é de trato mais fácil por depender, essencialmente, da observância por parte de treinadores e executantes de determinadas regras acauteladoras.
Há, porém, carência de pesquisas em laboratório para a definição dos processos neurais intervenientes e na
prática de trabalho onde se estabeleça amplo rol dos exercícios possíveis para membros superiores e inferiores no qual se observe a complexa interação das variáveis intervenientes, pois seu comportamento parece estar intimamente ligado aos parâmetros da especificidade das ações musculares.

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enviado por: Carlos L. G. Neto C. Luiz M. Paulo Jose. A. de A. Alex S. M. Roberto S.

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