A Pesquisa Francesa em Musicoterapia

Publicado em 31 de outubro de 2014

O conceito de musicoterapia tem sido associado, quase que de forma mítica, ao conceito de harmonia universal. Dependendo da época, um aspecto subjetivo (influência positiva na vida interior do indivíduo), ou um aspecto social (harmonia da sociedade) podem predominar, vinculados a referências religiosas cosmológicas socio-políticas.

A história registra duas precisas referências culturais as sessões de musicoterapia que ainda são evocadas hoje em dia. Uma é a catarse e outra a música “sedativa”.

Desde a Antiguidade até o século XVIII, a música era indicada a despertar e estimular emoções assim como para controlar e ar paixões. Na França, do século XIX em diante, a história da musicoterapia se vinculou à história da psiquiatria.

Em 1801, o Dr. P. Pinel considerou a loucura uma doença das paixões, e não possessão por demônios. A loucura tornou-se desse modo, um assunto da medicina e não da Igreja.

Desse período em diante, a música – audição e produção – foi introduzida como um meio de controlar paixões. No entanto, apenas muitos anos depois, entre 1820 e 1880, a Musicoterapia se desenvolveu através de Esquirol no hospital Salpetriére e também através de Leuret, Dupre, Nathan, Berthier e Bourneville em outros hospitais. Os psiquiatras tornaram-se amplamente responsáveis pela sua evolução.

Admitia-se que a ordem e a métrica, que a música simboliza, recuperavam o paciente portador de doenças mentais no que se refere a normas morais e comportamento socialmente adaptável.

Naquela época, a musicoterapia receptiva consistia na organização de concertos executados pelos alunos do Conservatório de Paris. Tratava-se de terapia de grupo, com corais e orquestras formados dentro do hospital. A musicoterapia era essencialmente um meio de cumprir um programa musical – concebido em nível nacional para todo o país, uma vez que a música era considerada um meio de unidade nacional – a fim de encorajar a socialização e formação de grupo. Esse foi o período histórico dos Orfeões.

Após muitos anos de prática, os resultados não foram tão promissores quanto o esperado. Além desse fato, descobertas em medicamentos quimioterápicos que provavam sua eficácia ao acalmar pacientes agitados assim como os progressos na psiquiatria, psicologia e psicanálise, ofereciam novas abordagens na pesquisa. Esse dado explica o declínio da musicoterapia no final do século XIX e início do século XX.

Apesar desse fato, a noção de que a música pode mudar o comportamento de uma pessoa permanece a base para a utilização da musicoterapia.

Esse conceito passou a se desenvolver especialmente na França, onde reapareceu em meados da década de 1960, alcançando o ponto culminante por volta de 1970. O aperfeiçoamento dos meios de reprodução da música e de técnicas de gravação tornaram possível sua aplicação por leigos em música, como enfermeiros, fato que deu novo ímpeto à musicoterapia.

A pesquisa, na década de 1970, enfocou essencialmente a utilização da musico-terapia em relaxamento e analgesia para tratamento dentário e partos.

Durante as duas últimas décadas, novas abordagens na tentativa de compreender o espaço e a função da música – percebida agora mais como um código e estrutura de som do que um condicionamento por determinadas peças musicais – em trabalhos da psique, ocasionou um momento decisivo na pesquisa musicoterápica. Essa nova pesquisa tornou possível o escape do condicionamento musical.

A pesquisa recente em musicoterapia pode ser dividida em quatro períodos principais. Esses períodos se distinguem por evolução própria, fato que assinala as diferentes etapas da evolução da musicoterapia:

período inicial – empírico, no meio da década de 1960, com musicoterapia receptiva como condicionamento musical (Jost) para pacientes neuróticos;

segundo período, marcado por duas correntes de pesquisa realizadas essencial-mente em odontologia e obstetrícia, durante 1970-1980;

terceiro período de pesquisa, enfocando as aplicações de produção musical (sob a influência de métodos pedagógicos como de Wilhems e Orff), 1975-1985 e,

finalmente, o quarto período, dedicado à compreensão do papel da música no mecanismo da psique, amplamente associado à abordagem psicanalítica. Pesquisa adicional também tem sido feita no sentido de ampliar o campo da prática e do alcance de populações específicas.

Deve-se assinalar que a pesquisa em musicoterapia tem atravessado sucessivas etapas de crescimento mas que os métodos utilizados basicamente são os mesmos, ainda que técnicas, as mais tenham se beneficiado dessa pesquisa.

O período Empírico: 1965
Um determinado conceito da eficácia da música – seja por imersão ou então por condicionamento – originou o primeiro método em musicoterapia: a musicoterapia receptiva (J. Jost).

A pesquisa inicial em musicoterapia receptiva tentou demonstrar os efeitos psicofisiológicos ao se ouvir trechos de música pré-selecionada ou especialmente composta. Jacques Jost, pesquisador acústico, interessava-se pela influência da audição musical e participou da pesquisa sob a coordenação de Robert Frances.

Em seguida, M. Imberty desenvolveu uma abordagem “psicologizada” de percepção musical. Os resultados serviram de base para a criação de composições musicais a serem utilizadas em musicoterapia (ritmos, andamentos, intervalos, intensidade do som, etc.).

A musicoterapia receptiva originou métodos baseados na audição musical O paciente é colocado numa situação onde ele ou ela ouve uma fita gravada com trechos que podem ter sido preparados durante testes receptivos.

A organização da fita pode ser adaptada de acordo com os desejos e necessidades do paciente. Música clássica ou romantica aparece com muita frequência. A expectativa é que a música utilizada provoque mudanças de comportamento. Essa técnica pode ser utilizada tanto em terapia de grupo quanto individual. J. Jost elaborou uma técnica de audição musical incluindo preferências musicais em termos de ritmos e melodias, baseando-se no teste de Cattell.

Alguns autores ampliaram essa técnica, isto é, no que se refere à duração, sucessão e escolha de peças (J. Verdeau -Pailles e colaboradores), variáveis musicais e suas aplica-ções.

Esses métodos ainda são utilizados e o repertório musical tem aumentado.

Pesquisa em Analgesia (Odontologia) e Audição do Feto em Obstetrícia (1970-1980)

Dr. Gabai, dentista, desenvolveu posteriormente uma pesquisa em relaxamento e analgesia na cirurgia dental. Dentro dessa perspectiva também tem-se pesquisado a hipnose e a sofrologia (M. Bertrand e colaboradores). Em acréscimo à aplicação da música em relaxamento e analgesia em cirurgia dental, Dr. J. Feijoo contribuiu com um trabalho sobre a utilização da música na preparação do parto.

Nesse campo de pesquisa emerge o conceito comum de que a música constitui um fator importante no relaxamento. Ela induz à primeira etapa, ou seja, à hipotonia muscular.

Além do impacto psicofisiológico que favorece a hipotonia e o equilíbrio do ritmo biológico, a música facilita também um melhor controle das emoções. O relaxamento assim obtido provoca uma sensação de bem-estar. A atenção se fixa em algo agradável desviando-se de alguma dor.

Os efeitos analgésicos esperados da música são conseguidos através de condicio-namento e sugestão.

A função do som e da música nesse caso é reforçar a sugestão verbal e causar uma desconexão de referências de tempo e espaço, originando um estado de alerta reduzido.

A pesquisa desenvolvida em obstetrícia levou o Dr. Feijoo a observar a audição fetal e descobrir uma maneira de demonstrar a influência que a música pode exercer no feto. O recurso era um modelo de aprendizagem pelo condicionamento. Uma passagem de “Pedro e o Lobo” (Prokofiev) foi tocada para o feto através de fones de ouvido colocados no abdomen da mãe que, por sua vez, não ouvia a música. Na preparação desse exercício de audição, a mãe foi induzida a relaxar. A repetição desse condicionamento por toda a gravidez resultou em aprendizagem pelo feto (conexão música/relaxamento). Ao se tocar a mesma música durante o parto, verificava-se um estado de relaxamento no recém-nascido. Nos anos seguintes, essa experiência deu origem a uma extensa pesquisa sobre avaliação fetal.

Outro autor, A. Tomatis, desenvolveu um conceito “audiofonológico” baseado em uma teoria de audição fetal, que propunha um certo número de abordagens áudio e comportamental através do condicionamento e recondicionamento de audição. Um aparato específico é utilizado nesse trabalho: o ouvido eletrônico. A maior parte da pesquisa é dedicada à avaliação e à voz.

Desenvolvimento de Técnicas de Produção Musical

Em sua associação à musicoterapia, deve-se fazer menção a um método de pedagogia musical, especialmente o que se originou do método Orff, o mais conhecido e aplicado na França e em outros países. J. M. Guiraud-Caladou sistematizou sua aplicação com adultos hospitalizados em setor de psiquiatria, denominando-o “técnicas psicomusicais ativas em grupo”. O método é aplicado da mesma maneira em crianças.

Essa abordagem incentivou, junto aos métodos de Willems e Dalcroze, o desenvolvimento do que se denomina musicoterapia ativa, ou seja, técnicas baseadas na produção musical do próprio paciente. Esse trabalho envolve essencialmente situações de improvisação musical em instituições. (B. Ah-Line, D. Sengele-Devier, H. Vanetti…).

Orientação na Pesquisa Atual

Com o intuito de situar a musicoterapia corretamente dentre as diferentes técnicas psicoterápicas, convém discutir sua especificidade. A pesquisa atual enfoca a música em si mesma, sua estrutura e seu suporte sensorial, o som. Esses dois elementos estão vinculados ao funcionamento psíquico.

Abordagem psicanalítica (Freudiana)

A pesquisa tem se desenvolvido em torno de três aspectos fundamentais:

A apreensão do som e sua estruturação musical como uma experiência vivida, acompanhada de uma análise de relação entre pensamento musical e pensamento verbal;

A estrutura pluri-vocal de música e análise de grupo;

Mediação como um objeto de relação.

1) O som e sua estruturação musical como uma experiência vivida. 1a – A música é uma forma de som organizado. Uma melhor compreensão da experiência subjetiva do som fornecerá a base necessária para a compreensão da experiência musical (E. Lecourt, J. F. Augoyard).

A pesquisa foi realizada em torno da experiência com som e música vivenciada por pacientes de instituições psiquiátricas (crianças, adultos), L. Lepelletier e outros, J. L. Baillot e outros e em serviços de gerontologia, N. Laeng. A pesquisa também enfocou sintomas e patologias ligados ao som que se incluem na psicopatologia cotidiana, assim como em distúrbios mentais (diferentes tipos de surdez, canto desafinado, hiperestesia de som, alucinações, etc.).

Tentativas têm sido feitas a fim de se estabelecer referenciais dos diferentes estágios e processos – a partir de um ponto de vista evolutivo – de maneira que a experiência sonora na criança possa ser organizada.

1b – Os dois códigos do som – verbal e musical – têm caminhado juntos. Questiona-se de que maneira surgiram e que tipo de relação existe entre eles. Observações clínicas lidam também com dificuldades na articulação desses códigos e a sua separação em diferentes patologias (E. Lecourt).

Concluindo, essa pesquisa deve tornar possível que se determine a indicação da musicoterapia e quais objetivos e meios necessários para sua utilização adequada.

2) A estrutura pluri-vocal da música e o funcionamento do grupo.

O aspecto grupal da estrutura musical (sua pluri-vocalidade) está vinculado à estrutura grupal da psique, que vem sendo frequentemente estudada por psicanalistas interessados em terapias verbais (Bion, Anzieu, Kaes). O trabalho realizado em improvi-sação de grupo possibilitou a demonstração de certos processos comuns a ambos os grupos, verbais e musicais, e certos processos específicos da música (E. Lecourt).

Uma situação especial de improvisação musical de grupo oferece a oportunidade de se analisar a criação dessa pluri-vocalidade e, também de se compreender as dificuldades e falhas que o grupo encontra nesse processo.

Essa pesquisa, além de salientar o que é mobilizado na psique do indivíduo em situação grupal, abre novas perspectivas para análise do que ocorre durante a improvisação numa relação dual.

A estruturação da experiência sonora e o estabelecimento de um processo de diferenciação vocal constituem os eixos essenciais para se trabalhar com a musicoterapia e determinar suas indicações.

Mediação como objeto de relação;

Na medida em que a musicoterapia foi considerada uma terapia mediadora, questiona-se qual o seu papel em uma relação psicanalítica. As características da mediação escolhida – um objeto transicional, um objeto intermediário ou um objeto de relação – definem as atividades físicas e mentais que se propõem. Por exemplo, podemos mencionar a especificidade das qualidades da transferência e da contra-transferência, decorrentes da técnica psicoterápica.

Essa pesquisa está centrada no que a musicoterapia, hoje, tem a oferecer dentre as terapias disponíveis, ou seja, aspectos sensoriais do som não-verbal, do ruído à música, na relação terapeuta-paciente. Trata-se de compreender o que mudou nessa relação e de que maneira essa mudança na abordagem terapêutica pode ter importância terapêutica. Além disso, uma vez que a intermediação do som é em si mesma múltipla, parte da pesquisa atual investiga as diferentes qualidades relacionais que podem ser suscitadas pela audição de música gravada ou ao vivo, utilizando-se gravador (com feed-back), tocando um instrumento musical (e o tipo do instrumento) ou outro instrumento sonoro.

As funções dessas intermediações na relação psicoterápica são analisadas assim como também as particularidades da transferência introduzida pelo método terapêutico.

A pesquisa sobre a qualidade da voz, vinculada à identidade e personalidade do indivíduo – e às vezes a determinadas patologias – tem sido realizada por diversos autores conhecidos (A. Tomatis, Y. Fonagy). Musicoterapeutas têm se utilizado dessas observações em sua prática clínica e têm trabalhado com pacientes surdos e demenciais (por exemplo N. Laeng e A. Carre). Outros estão envolvidos com a reeducação/reabilitação da fala, utilizando a intermediação da qualidade e entonação da voz em línguas diferentes (A. M. Ferrand-Vidal).

Por fim, a pesquisa está examinando o lugar e a função que a voz ocupa no intercâmbio entre terapeuta e paciente: a voz do terapeuta, a voz do paciente, a fala, o canto, o cantarolar, e a voz como meio corporal. Esse aspecto tem sido estudado em grupos.

Em geral, o estudo da voz, o lugar que ocupa na história da música e sua relação com a fala, tem fornecido significativas observações e “insights”, tanto para o trabalho com a voz quanto para a relação que existe entre a fala e a música (por exemplo, M. Poizat).

Outra pesquisa para ampliar áreas de aplicacão

e alcançar público específico

Aplicações nos Setores Educacional e Social

De uma forma concisa, pode-se notar que a arte apresenta uma função básica triplicada no campo da psicopedagogia: uma função educacional (G. Bondinet, E. Bigand, A. Bustarret, …), uma função de seleção e prevenção ligada ao estudo psicológico da produção do som (E. Bigand, C. Chaillet, E. Lecourt, Nevjinski,…) e uma função terapêu-tica que a educação especializada tenta introduzir através da reeducação (G. Ducourneau…).

O estudo do lugar e do papel da música envolve uma análise de como a música é organizada e produzida e dos efeitos que produz. Por exemplo, pesquisa-se a conduta musical da criança (F. Delalande, A. Bustarret, C. Lapongade, E.Lecourt) analisando-se o comportamento musical espontâneo conforme observado na vida diária. Essa orientação possibilita que se utilize a pesquisa em psicopedagogia na prevenção – através da mediação artística – de certos comportamentos inadaptados em crianças com dificuldades. O trabalho feito por J. P. Mialaret com o canto espontâneo de crianças também se vincula à musico-terapia ao lidar com improvisação e prevenção. No contexto de seleção precoce com o objetivo de prevenção, pesquisa-se certas formas de inadaptação encontradas em pessoas com dificuldades no espaço escolar, cultural ou social. (C. Chaillet – Damalix). O abuso sexual de crianças também tem sido pesquisado.

Por fim, na área de disfunção intelectual que frequentemente é assinalada por interesses inconstantes, a ausência de um referencial espaço-temporal, suas representações e problemas com simbolização, os estudos têm demonstrado que o trabalho com música pode ser eficaz em diminuir as dificuldades de aprendizagem e de memorização encontradas em certas crianças na idade escolar (A. M. Duvivier,… ). A música, com seu inerente domínio de tempo e espaço, oferece meios excepcionais de ajuda e reparação.

Os psicopedagogos podem também utilizar o que as pessoas produzem em termos artísticos como um “objeto” de estudo, com o que facilitam o processo de aquisição e desenvolvimento. Essa experiência criativa pode conduzir a uma experiência cultural, a uma apropriação e construção cultural, possibilitando que determinadas pessoas marginalizadas e excluídas tenham acesso a um espaço social. As funções da arte e o lugar específico que ela ocupa em nossa sociedade promovem essa integração.

Deve-se criar uma estrutura nos locais onde essas pessoas possam adquirir novos vínculos sociais através de atividades meritórias, rompendo repetidas experiências, de fracasso que possam ter vivenciado.

A atividade artística compartilhada também facilita intercâmbio e um reconhe-cimento de diferenças. Essa atividade possibilita também a restituição de uma cultura que se perdeu, ajudando a constituir ou consolidar uma identidade cultural, conforme tem sido demonstrado por diferentes manifestações artísticas de jovens, especialmente na área musical (N. Cristakis, J. P. Hersent).

O aspecto intercultural dessa pesquisa ainda não foi amplamente desenvolvido (E. Lecourt, 1987/1994). O trabalho nessa área consiste tanto na análise comparativa de experiências musicoterápicas em diferentes culturas quanto nas diferenças culturais existentes em uma mesma sociedade (E. Lecourt, V. Lortat-Jacob…).

A música também é analisada como uma atividade social, enfocando-se os sistemas de representação que ela pode criar na sociedade (J. F. Borsallo e colaboradores, J. P. Estival, J. P. Rey…).

Concluindo, deve-se mencionar uma terceira orientação: o estudo das tradições musicais e o papel que elas desempenham na aculturação à qual as sociedades estão expostas (A. Zenatti).

Público específico: Dependência às drogas e cuidado paliativo (AIDS, câncer, idosos).

A pesquisa atual em torno de idosos demenciais e senis corresponde a duas abordagens metodológicas bem diferentes. Observação clínica e análise praxeológica têm sido aplicadas em duas áreas de experimentação que anteriormente não haviam envolvido essa população: por um lado, a sensibilidade sensorial ao som e por outro, o estudo de gestos e movimentos do dia-a-dia. Os efeitos da música na memória e, especialmente, de que modo a memória musical torna possível o desenvolvimento da fala afetiva também têm sido estudados (N. Laeng, Y. Moyne-Larpin).

Outra pesquisa com pessoas que apresentam dependência a drogas e a álcool também tem sido documentada. A música, nesse caso, é “considerada” um substituto para certas necessidades orais e um suporte não arriscado para se expressar agressividade.

Várias aplicações têm sido desenvolvidas para esse público, objetivando enriquecer o sentido que o paciente tem de sua experiência passada, tornando-o(a) ciente de uma dimensão estética. Iniciase uma pesquisa em oncologia (Masri-Zada e colaboradores).

C) Finalizando, estudos têm sido realizados sobre o modo que a música pode afetar as pessoas portadoras de deficiências físicas ou sensoriais (A. Fertrier), em particular crianças surdas (A. Carre e A. Baumard).

Conclusão:
A diversidade de aplicações versus a necessidade de pesquisa.
Além da orientação psicanalítica, a abordagem comportamental em musicoterapia desenvolvida por J. Jost, Dr, J. Guilhot e M. A. Guilhot continua sendo utilizada em odontologia, obstetrícia e por alguns musicoterapeutas.

Esses métodos se baseiam em noções de condicionamento, recondicionamento e reeducação. A importância aqui dada ao processo de aprendizagem e à sugestão situa essa abordagem próxima da corrente do cognitivismo, que, na prática, pouco se desenvolveu na França. Por fim, as psicoterapias humanistas baseadas em um conceito de ideal humano no qual prevalece uma dimensão espiritual, já com alguma aplicação prática, surgiu somente há poucos anos em musicoterapia na França.

Essas estruturas referenciais não são rígidas e, dependendo da escola de pensamento, os musicoterapeutas as emprestam de alguma corrente teórica ou, às vezes, de várias ao mesmo tempo.

O histórico aqui apresentado demonstra a força do empirismo da musicoterapia, sua contínua renovação e capacidade de se adaptar a todas – ou quase todas – teorias. Essa força, no entanto, possui como contraponto uma fraqueza na especificidade e a dificuldade em pesquisas com fundamentação teórica.

Pesquisas só podem realmente ser desenvolvidas se orientadas por alguma instituição científica: universidades, laboratórios. Um laboratório na França essencialmente engajado nessa pesquisa: Laboratoire de Psychologie Clinique et de Psychopathologie Université René Descartes – Paris V (Sorbonne) – com a equipe dirigida pela Profª E. Lecourt, em conexão com o Departamento de Musicologia da Universidade Paris IV e o mesmo Departamento da Universidade de Strasbourg 2.

Mas, em outros espaços oficiais, pesquisas sobre música podem ser vinculadas à musicoterapia: Universidade Paris I (A. Zenatti), Universidade Paris X (Prof. M. Imberty), etc.

Revista Brasileira de Musicoterapia
Ano I – Número 1 – 1996 (Artigo 2/7)

http://www.ubam.hpg.ig.com.br/html/docs/rbm01_2.htm

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